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sábado, 22 de maio de 2010

New Trolls - Concerto Grosso Per I (1971)

Essa conhecidíssima banda italiana foi originalmente formada em meados da década de 1960 pelos músicos: Vittorio de Scalzi (guitarra e vocal), Nico di Palo (guitarra e vocal), Mauro Chiarugi (teclados), Giorgio D'Adamo (baixo e vocal) e Gianni Belleno (bateria e vocal), permanecendo com essa formação até o ano de 1970, quando Mauro Chiarugi deixou a banda, sendo substituído por Maurizio Salvi.

Em 1971 o "New Trolls" lança o seu álbum mais rico, belo e bem acabado. "Concerto Grosso Per I" contando com arranjos clássicos escritos pelo compositor argentino, naturalizado italiano, Luis Enriquez Bacalov, que posteriormente também trabalhou com as bandas "Osana" e "Il Rovescio della Medaglia".

A título de mera curiosidade, Concerto Grosso, é uma forma estritamente instrumental, típica do período barroco e que foi muito difundida na Itália. Consiste-se num concerto em que um grupo de solistas ("concertino") geralmente dois violinos e um violoncelo, dialoga com o resto da orquestra ("ripieno"), por vezes fundindo-se com este resultando no "tutti". As diferentes partes, concertino, ripieno e tuttti, são sustentadas pelo grupo do baixo contínuo (ordinariamente baixo de viola da gamba e cravo).

Embora muitos apreciadores do "New Trolls" apontem para o álbum "UT" (1972), como uma de suas melhores obras, sinto-me profundamente inclinado a discordar veementemente da esmagadora maioria, atribuindo tal título ao "Concerto Grosso Per I".

A elaborada, intrincada e disciplinada fusão da música erudita com o rock é em última instância, a síntese máxima do Progressivo. Nessa obra, "New Trolls" explora com muita competência e habilidade essa fórmula, oferecendo-nos uma "estética" musical ainda hoje atual, original e bela. Não vou me alongar evidenciando a indiscutível técnica e virtuosismo de seus integrantes, mas nessa obra, duas participações são absolutamente merecedoras de uma menção especial: a alucinante flauta de Scalzi, ao estilo "Jethro Tull", e as belíssimas guitarras de Di Palo.

Outra faceta fascinante desse álbum está na quinta faixa, com seus 20 minutos de pura improvisação. Registrada sem interrupções ou edições (direta), essa faixa preserva e ilustra todo o espírito e brilhantismo musical que fluiu naquele "mágico" encontro.

Concerto Grosso Per I (1971)


Músicas:
01. 1° tempo: Allegro
02. 2° tempo: Adagio (Shadows)
03. 3° tempo: Cadenza – Andante con moto
04. 4° tempo: Shadows (per Jimi Hendrix)
05. Nella sala vuota, improvvisazioni dei New Trolls registrate in diretta

Músicos:
Nico Di Palo - guitarra, lead vocals
Gianni Belleno - bateria, vocals
Frank Laugelli (Rhodes)- baixo
Maurizio Salvi - piano, orgão
Vittorio De Scalzi - guitarra, teclado, flauta

[Obrigado = Thanks]

New Trolls - Searching For A Land (1972)

Em 1972 ocorre uma segunda mudança na formação do "New Trolls". O baixista Giorgio D'Adamo é substituído pelo ítalo-canadense Frank Laugelli e lançam no mesmo ano 1972 dois álbuns: "Searching For A Land " e "UT".

"Searching For A Land " (meu primeiro LP do New Trolls) originalmente um álbum duplo, com faixas ao vivo, não foi considerado um sucesso, mesmo porque, depois do álbum "Concerto Grosso Per I", viesse o que viesse, seria praticamente impossível suplantar a inevitável e implacável expectativa do público. Mas mesmo assim, particularmente considero esse álbum, o segundo melhor trabalho do "New Trolls", sendo pois, imprescindível para compreender a evolução musical da banda. Dessa obra destaco as seguintes faixas: 'In St. Peter's Day', 'Once That I Prayed', 'A Land To Live A Land To Die' (New Trolls? Nice? ou ELP?), 'To Edith' (lisérgica e fantástica), Intro (bateria, teclados e guitarras "enfurecidos"), 'Muddy Madalein' e 'Lying Here'.

Depois de ouvir esse álbum, não dá para entender o que existe de excepcional ou fantástico no "UT". Particularmente e com muito boa vontade, contabilizo uma única música merecedora de alguma menção a "C'e Troppa Guerra".

Searching For A Land (1972)


Músicas:
01. Searching (Belleno/Rhodes/De Scalzi)
02. Percival (De Scalzi/Belleno/Di Palo)
03. In St. Peter's Day (De Scalzi/Salvi)
04. Once That I Prayed (De Scalzi/Rhodes/Salvi)
05. A Land To Live A Land To Die (De Scalzi/Rhodes/Di Palo/Salvi)
06. Giga (De Scalzi)
07. To Edith (Russel/De Scalzi/Di Palo)
08. Intro (Live) (Di Palo/De Scalzi/Salvi)
09. Bright Lights (Live) (Belleno/Rhodes/Di Palo)
10. Muddy Madalein (Live) (De Scalzi/Rhodes/Di Palo)
11. Lying Here (Live) (Rhodes/Belleno/De Scalzi/Di Palo/Salvi)

Músicos:
Nico Di Palo: guitarra, lead vocals
Gianni Belleno: bateria, vocals
Frank Laugelli Rhodes: baixo
Maurizio Salvi: piano, orgão, sintetizadores
Vittorio De Scalzi: guitarra, flauta

[Obrigado = Thanks]

quarta-feira, 19 de maio de 2010

New Trolls - Tempi Dispari (1974)

"Tempi Dispari" é um álbum exemplar que não guarda nenhuma relação com os trabalhos anteriores do "New Trolls". Gravado ao vivo no Teatro Alcione, Genoa, esse álbum é composto por apenas duas composições, onde seus integrantes dedicam-se exclusivamente a explorar em profundidade as ilimitadas fronteiras do Jazz, oferecendo-nos, em muitos momentos, o mais puro e refinado Jazz, principalmente na faixa 7/4.  Já na segunda composição 13/18, o "New Trolls" se flexibiliza e invade o território do Jazz Rock com algumas incursões ao Free Jazz e ao Progressivo, demonstrando completo domínio, desenvoltura e competência ao desbravar habilidosamente os complexos caminhos dessa fusão de estilos musicais.

Não sou músico e não entendo nada de teoria musical, mas pelo pouco que pude depreender, me parece que o objetivo principal do "New Trolls", nesse álbum em particular, não foi apenas "afirmar-se" para o seu público habitual, mas em especial para a comunidade musical mundial. Essa intenção me parece estar esculpida não apenas no conteúdo das composições, manifestando-se logo no título do álbum "tempi dispari", bem como, pelos títulos das composições que se referem aos compassos musicais. Reforçando a teoria da "afirmação" musical, não devemos esquecer, que esse álbum foi o segundo álbum da banda "New Trolls Atomic System" (fruto da cisão do "New Trolls" original) e que por insondáveis razões, voltou a utilizar-se do nome "New Trolls" nesse LP.

O resultado desse inusitado "experimento", certamente surpreenderá aos admiradores do Jazz e aos músicos profissionais pela sua dinâmica, técnica e virtuosismo, no entanto, para os não "iniciados" no Jazz, não vislumbro uma fácil aceitação. Motivo pelo qual, não recomendo a presente postagem para aqueles visitantes que não apreciam o Jazz e suas inúmeras variações.

Por outro lado, o prezado visitante ainda que não totalmente familiarizado com o Jazz, poderá ainda assim, apreciar a estrutura musical da segunda composição (13/8), por tratar-se de uma composição menos ortodoxa e com algumas referências progressivas e experimentais, consistindo-se, por assim dizer, numa composição fusion.

Seja como for, incontestavelmente esse álbum ilustra um importante momento da evolução musical dessa genial e importante banda italiana. Merecendo um lugar de destaque na discografia do "New Trolls".

Tempi Dispari (1974)

Músicas:
01. 7/4 (Settequatri)
02. 13/8 (Trediciottavi)

Músicos:
Vittorio De Scalzi: Guitarra
Giorgio Baiocco: Sax
Renato Rosset: Teclados
Giorgio D'Adamo: Baixo
Tullio D'Episcopo: Bateria

[Obrigado = Thanks]