quarta-feira, 10 de março de 2010

Acqua Fragile - Mass Media Stars (1974)

Este é o segundo e último álbum do Acqua Fragile. O eventual visitante que decidir-se por "baixar" o material deve preparar-se para uma rápida e agradável "viagem". Antes de executar os arquivos (de preferência sempre em sua ordem original), pegue logo aquela "cerva" gelada que deve estar escondida no fundo da geladeira (serve um bom vinho ou mesmo um whisky), acenda a sua "erva" preferêncial (cigarro, charuto, cachimbo ou similares), aumente o volume, acomode-se e pronto. Voce agora esta preparado para ouvir e degusta essa maravilha de álbum.

Diferentemente do primeiro álbum, este é um trabalho essencialmente progressivo, repleto de movimentos, sabores, cores e arranjos desconcertantes e surpreendentes, que navegam ora pelo folk, pelo rock, pelo jazz e como não podia deixar de ser pelo progressivo. É um álbum "nervoso", corrido, inquieto, pulsante, vivo,  delirante e exemplar.

Cabe ainda uma observação final, tal como no álbum inaugural, os arranjos vocais são de grande influência no andamento das composições e como as vozes de Lanzetti não agradam a alguns dos admiradores do progressivo, não é difícil, por conta disso, encontrar-se pela rede comentários desfavoráveis ao Acqua Fragile. Por tal razão, se o visitante não for preconceituoso e tiver a capacidade de forjar suas próprias conclusões, não perca essa oportunidade. Particularmente esse é o meu álbum predileto da banda e recomendo sua audição.

Esta é a segunda vez que publico esta postagem, por causa da infame "caça" promovida pela DMCA (Digital Millennium Copyright Act), que insiste em impedir a livre divulgação da cultura, sob a alegação de estar defendendo os Direitos Autorais.

O link da postagem, certamente resultará em erro, informando que o arquivo não existe ou foi deletado, não se preocupe com essa mensagem, ela é falsa. Consulte a página autônoma "Arquivo Morto", localizada no topo da página do blog, para maiores esclarecimentos e procedimentos.

Mass Media Stars (1974)

Músicas:
01. Cosmic mind affair
02. Bar gazing
03. Mass-media stars
04. Opening act
05. Professor
06. Coffee song    

Músicos:
Piero Canavera:     Bateria, Percussão, Violão, Vocal
Gino Campanini: Guitarra, Mandolin, Vocal
Bernardo Lanzetti: Vocals, Guitarra e Viola de 8 cordas
Franz Dondi: Baixo
Maurizio Mori: Teclados
Claudio Fabi: Piano on "Opening Act"

[Obrigado = Thanks]

terça-feira, 9 de março de 2010

Podemos viajar ao Futuro?

Talvez uma boa parcela das pessoas, nunca tenham se dado conta que ao observarem as estrelas, estão, na verdade, testemunhando e presenciando o passado.

É quase certo que a grande maioria das pessoas, já tenham, em algum momento, observado Alnitak, Alnilam e Mintaka, vulgarmente conhecidas como as “Três Marias”, que integram a Constelação de Orion, assim como Betelgeuse, Rigel e outras. No entanto, poucas pessoas sabem que a luz de Betelgeuse leva 275 anos para atingir a Terra. Rigel, está ainda mais distante à 540 anos luz da Terra.

Em suma, isso quer dizer que quando olhamos para as estrelas, estamos na realidade vendo-as como eram, e o nosso “Agora”, não é o mesmo “Agora” de Betelgeuse ou Rigel. Se por alguma razão, Rigel deixasse de existir, somente tomaríamos conhecimento de seu triste destino daqui a 540 anos.

Esse simples fato, já é por si só, suficiente para exemplificar, a completa impossibilidade de dissociação entre o espaço e o tempo. O mesmo princípio aplica-se as pessoas e aos objetos, que devem ser considerados como existindo (no mínimo) em 4 dimensões: Largura, Espessura, Comprimento e Tempo. “Mas para captar a noção de Tempo é essencial compreender que o Tempo não se escoa. É a matéria e a consciência que se movem através do Espaço-tempo.”

Todos sabemos que a duração do dia é determinada pela velocidade de rotação da Terra em torno se seu eixo, e que uma hora representa um arco de 15 graus na rotação diária da Terra.

Porém, eventualmente podemos “compreender” o tempo de formas diferentes, variando sua percepção ao sabor das circunstâncias. Algumas vezes temos a impressão que o Tempo “passa” mais lentamente, outras vezes, o Tempo parece “fluir” mais rapidamente, mas certamente, essas impressões são de ordem meramente psicológica.

A rápida passagem do Tempo durante os sonhos é outro estranho fenômeno psicológico que carece de um estudo mais aprofundado. Podemos também constatar que o Tempo “passa” mais devagar para um grupo de pessoas que se vejam privadas dos estímulos relativos aos ciclos naturais do alvorecer, entardecer e do anoitecer, como se verifica com freqüência, com espeleólogos, que habitam por longos períodos de tempo no interior de cavernas.

Visando facilitar a exposição do tema, tomemos inicialmente, para efeitos ilustrativos, a Fita de Moebius. Para aqueles que não a conhecem, trata-se de uma simples tira de papel, longa o suficiente para que se possa torcê-la de tal forma (aproximadamente 180°), que possibilite que suas extremidades sejam coladas. Após as suas extremidades terem sido coladas, a Fita deverá assemelhar-se ao símbolo do infinito, ou seja, o número oito deitado, mas, no entanto, tri dimensional.

A Fita de Moebius, possui uma característica peculiar. Escolha um ponto qualquer de partida e trace, com um lápis, uma linha sobre a sua superfície sem retirar o lápis da superfície inicialmente escolhida. Você perceberá então, que para chegar ao ponto inicial de partida, terá necessariamente que passar pelas duas superfícies, ou faces, da mencionada Fita.

Partindo da premissa que o leitor tenha confeccionado uma Fita de Moebius e, portanto tenha observado e comprovado o acima mencionado, iniciarei a abordagem da teoria sobre o passado, o presente e o futuro.

Quando escolhemos um ponto aleatório na Fita de Moebius, estamos teoricamente determinando, para efeito de compreensão da teoria, um ponto inicial que chamaremos de “Presente”, ou o “Agora”. A medida em que é iniciada a ação de deslocar o lápis sobre a Fita, deixasse uma linha sobre a superfície da Fita  (representando o passado) e o nosso “Agora”, deixa de ser aquele ponto inicial, deslocando-se para a ponta do lápis que permanecerá movendo-se ao longo da Fita por um período de tempo indeterminado.

Então, basicamente o chamado “Futuro”, seria o resultado lógico da infindável corrente de eventos que já se efetivaram e que em algum momento, foram as determinantes do “Agora”. O “Agora”, por sua vez, estará estabelecendo ininterruptamente e indefinidamente, inúmeras e incalculáveis expectativas e probabilidades, em conjunto com o acaso e o livre arbítrio, esses eventos ao se “cristalizarem” pertencem ao passado, porém  também determinam, por assim dizer, o que convencionamos chamar de “Futuro”.

Se assim não for, seremos obrigados a aceitar a teoria do destino, como norteadora de toda existência Universal. Ou seja, o chamado ”Futuro”, na concepção daqueles que admitem o destino, já estaria pronto, definitivo e imutável, esperando-nos placidamente. Em outras palavras, o fenômeno destino, retiraria, da concepção humana, o sentido das palavras, aprendizado, liberdade, arbítrio, desenvolvimento, dentre uma infinidade de outras. Seríamos então, do macro ao micro, meros fantoches, submetidos a uma “vontade superior”?. E em sendo assim, uma pergunta crucial não poderia deixar de ser formulada: - Quem ou o que determinaria o destino? Quem ou o que manobra os fatos e puxa as cordas das marionetes? Essa linha de raciocínio não me agrada e não atende às minhas dúvidas. 

Parece tudo muito complicado. Mas é exatamente aqui que cabe uma outra pergunta: – O que efetivamente determina, ou melhor, difere os chamados “Passado”, “Agora” e o “Futuro”?

Seria o segundo? O segundo, cientificamente, é o lapso de tempo durante o qual o átomo de césio efetua 9.192.631.770 oscilações. Essa ordem de grandeza, está muito além da nossa capacidade de compreensão. Por outro lado, pode representar, ainda que simbolicamente, a magnitude dos eventos, prováveis, possíveis e improváveis contidos nessa unidade temporal.

Na minha singela opinião, o ”Futuro” está sendo cristalizado sob a forma do eterno e consecutivo “Agora”! O “Agora” não pré existe, ele depende de toda uma cadeia de eventos, ações ou inações, para poder chegar a ser o “Agora” e em decorrência, tudo que se concretiza no “Agora”, tornar-se necessariamente parte do passado.

Imaginemos que somente aqueles eventos que se consumam, tornam-se imediatamente em passado. Aqueles que não chegam a se “cristalizar”, não existem e, por conseguinte, não serão gravados na espiral tempo-espaço."Lembre-se da linha deixada pelo lápis na fita de Moebius".

Logo, uma vez que somente os eventos que efetivamente venham a se “cristalizar”, seriam efetivamente “gravados” na espiral do tempo-espaço, portanto, não seria incorreto, ou temerário postular a completa impossibilidade de alterar-se o “Passado”. Tendo em vista que as demais probabilidades que eventualmente poderiam alterar o rumo dos fatos, por não terem se "cristalizado", simplesmente, não existem! Não chegaram a ser “gravados” na espiral tempo-espaço.

Particularmente, acredito, que num futuro distante, poderemos, algum dia, "Ler" o “Passado”, mas não seremos notados por seus protagonistas. Seremos, para eles, invisíveis, seremos meros expectadores, pois não fazemos parte daquele “momento” não estamos por assim dizer “gravados” na espiral tempo-espaço e, portanto, não existimos naquela eventual “região temporal”. Não nos sendo portanto, possível alterar o desenrolar dos fatos.

O “Futuro”, por igual razão, torna-se impossível de ser conhecido, previsto, desvendado ou mesmo “visitado”, como tanto desejam os amantes da ficção científica.

No meu entender, o “Futuro” não existe! O Futuro não passa de uma abstração teórica. Podemos quando muito, ponderar sobre as inúmeras probabilidades para o “Futuro”. No entanto a magnitude dos eventos, ações, inações, acasos, probabilidades, impedem o seu exato e real conhecimento, inviabilizando, portanto, qualquer tentativa de acesso ao que ainda não existe! Ou em outras palavras, como podemos imaginar ou conhecer alguma coisa que ainda não aconteceu ou que talvez nunca aconteça e que está necessariamente restrito a ocorrência ou não de inúmeras  infindáveis e desconhecidas probabilidades!

Atualmente, muitos cientistas, convictos das inúmeras probabilidades determinadoras  e implícitas para o Futuro, apontam para a teoria dos universos paralelos (Multiverso em oposição a concepção do Universo), onde, para cada teórica e eventual probabilidade, corresponderia a um determinado espaço-tempo, onde tudo seria replicado, porém, cada qual com suas próprias e distintas "realidades", ou seja, para cada universo paralelo, os "Presentes" poderiam ser de moderados a absolutamente distintos entre sí. Considerando-se que essa concepção (Multiverso) seja confiável e supondo-se ainda hipotéticamente, a concreta viabilidade da viagem pelo tempo (Passado ou Futuro) fica mais claramente evidenciada a impossibilidade de realizar-se qualquer alteração no Passado ou visita ao Futuro, pelo simples fato de não podermos determinar com absoluta certeza em qual dos Multiversos, dos incontáveis eventualmente existentes efetivamente estaremos, e qualquer tentativa de modificação dos fatos passados, poderia quando muito, eventualmente afetar a apenas alguns dos universos paralelos, mostrando-se absolutamente inócua para outros.    

Com certeza, alguns dos eventuais leitores dessa longa postagem, que tiveram a boa vontade e a paciência de ler e tentar acompanhar e compreender o presente texto, levantarão, como argumento contestatório, as famosas Centúrias de Miguel de Nostradamus.

No entanto, para desgosto dos defensores da “clarividência”, grande parte das quadras escritas por Miguel de Nostradamus, nunca puderam ser decifradas, talvez até, por não terem sido adequadamente compreendidas, por estarem propositalmente escritas em um francês arcaico e hermético. Porém, ao que tudo indica, e isso é um fato incontestável, muitas das quadras, talvez nunca venham a ter qualquer relação com os acontecimentos históricos.

Para piorar a situação, Miguel de Nostradamus, não classificou as Centúrias em ordem cronológica, e na maioria das vezes, torna-se impossível relacionar suas “profecias” com os acontecimentos históricos atuais.

Também não podemos deixar de mencionar, que a totalidade das pretensas “previsões”, só se tornaram inteligíveis, após o acontecimento dos fatos, quando estes fatos já se tornaram "passado" o que por si só, faz-nos crer que o que houve na realidade, foi uma “interpretação”, ou melhor dizendo, uma “acomodação” das pretensas “revelações” aos fatos históricos.

Era isso ai!
Pax, Harmonia et Sapientia

P.S. Esse texto foi originalmente escrito em 2007 e apenas os trechos em itálico foram acrescentados nessa data. O presente texto não pretende discutir ou contestar a Teoria da Relatividade. Trata-se apenas de uma divagação teórica e abstrata, desenvolvida por uma mente insignificante e que algumas vezes apresenta sinais de insanidade.

Billy Cobham - Spectrum (1973)

Primeiro álbum solo do genial baterista panamenho Billy Cobham. Esse trabalho, certamente é o mais divulgado, conhecido e admirado por grande parte dos admiradores do Jazz Rock e do Fusion.

Billy Cobham começou sua carreira tocando jazz rock com Miles Davis e posteriormente foi um dos membros fundadores da lendária Mahavishnu Orchestra. Cobham conta com uma extensa e gloriosa discografia, encontrando-se em plena atividade nos dias de hoje.
"Spectrum" tem uma sonoridade mais agressiva, comparada aos álbuns que o sucederam. As "cores" do rock são mais "carregadas" e são brilhantemente aproveitadas pelos músicos participantes, em especial pelo saudoso guitarrista Tommy Bolin (1951-1976 "- mais um por overdose") que com esse trabalho "desperta" a atenção de renomadas bandas como "James Gang" e "Deep Purple", sem deixar de mencionar os exemplares e sempre virtuosos teclados de Jan Hammer que fervilham com extrema desenvoltura entre o rock e o jazz.

Trata-se de um verdadeiro clássico do jazz rock, no qual Billy Cobham com originalidade, genialidade, habilidade e uma técnica refinadíssima, forja uma peculiar linguagem para o jazz rock, permanecendo atual e original até os dias atuais. 
 

Spectrum (1973)

Músicas:
01. Quadrant 4
02. a. Searching For The Right Door
      b. Spectrum (*)
03. a. Anxiety
      b. Taurian Matador
04. Stratus
05. a.To The Women In My Life
      b.Le Lis (**)
06. a. Snoopy's Search
      b. Red Baron

Músicos:
Billy Cobham: Bateria e percussão
Tommy Bolin: Guitarra
Jan Hammer: Piano elétrico, Piano acústico e Moog
Lee Sklar: Baixo
Joe Farrell: Flauta, Sax soprano (*) e Sax Alto (**)
Jimmy Owens: Flugelhorn (*) e Flugelhorn e Trompete (**)
John Tropea: Guitarra (**)
Ron Carter: Baixo acústico (*) e (**)
Ray Barreto: Congas (*) e (**)

[Obrigado = Thanks]

segunda-feira, 8 de março de 2010

Billy Cobham - Crosswinds (1974)

Esse é o segundo álbum solo do grande baterista Billy Cobham, mas infelizmente é um álbum muito pouco divulgado. Acredito que isso se deva ao fato de trata-se de um trabalho mais voltado para o fusion, com uma nítida predominância do jazz, com muitas passagens mais introspectivas e técnicas, além de possuir um acentuado tempero latino o que na maioria das vezes, pode não agradar ao mesmo público que admira o álbum que o antecedeu ("Spectrum").

Adquiri esse álbum entre 1977/78 aproximadamente (de segunda mão na Bausack Discos) e logo de cara  foi um trabalho que muito me agradou. Como sou um admirador do jazz (em todas as suas vertentes), não foi difícil considerá-lo um dos melhores trabalhos do grande Cobham, principalmente a faixa "Heather", a mais bela, introspectiva e sensível composição do álbum, onde os solos de Michael Brecker são literalmente de "arrepiar". Essa faixa em especial é expressamente dedicada a duas pessoas Carolyn e Jack, mas infelizmente os créditos do álbum, não informam a motivação para tal dedicatória.

Outra informação que julgo relevante é que a belíssima imagem da capa foi capturada em foto pelo próprio Billy Cobham, o que de certa forma, revela-nos mais uma faceta artística desse genial baterista.

Se o visitante é um admirador do jazz, não deixe de aproveitar essa oportunidade pois além de ser um álbum exemplar é um material relativamente difícil de achar na rede, muito pouco divulgado e por conseguinte pouco conhecido. Particularmente, considero o "Crosswinds" e o "Total Eclipse" melhores que o "Spectrum", mas isso na verdade pouco importa, pois no final são três álbuns magníficos.

Crosswinds (1974)

Músicas:  
1. Spanish Moss - "A Sound Portrait" (17:08)
    a. Spanish Moss (4:08)
    b. Savannah the Serene [solos:Garnett Brown e George Duke] (5:09)
    c. Storm [solo:Billy Cobham] (2:46)
    d. Flash Flood [solos:Randy Brecker e John Abercrombie] (5:05)
 2. The Pleasant Pheasant [solos:Lee Pastora, Michael Brecker, George Duke e B. Cobham] (5:11)
 3. Heather [solos:George Duke e Michael Brecker] (8:25)
 4. Crosswind [solo:John Abercrombie] (3:39)

Músicos:
Billy Cobham: Bateria, percussão
John Abercrombie: Guitarra, Violão
Michael Brecker: Woodwinds
Randy Brecker: Trompete
Garnett Brown: Trombone
George Duke: Teclados
Lee Pastora: Percussão latina
John Willians: Baixo acústico

[Obrigado = Thanks]

quinta-feira, 4 de março de 2010

Novalis - Banished Bridge (1973)

Novalis para quem ainda não conhece é uma excelente banda alemã de progressivo sinfônico e no meu entender é a banda que melhor representa o progressivo sinfônico alemão. A originalidade das composições e o bom gosto na elaboração da estrutura melódica, aliadas ao virtuosismo de seus integrantes, conferem aos seus álbuns uma característica relativamente rara. Embora seus álbuns possam possuir 3, 4, ou mais músicas, elas são de tal forma conexas e encadeadas, não permitindo ao ouvinte definir uma clara preferência por qualquer uma delas. Novalis cria verdadeiras suites que, como tal, devem ser ouvidas em sua totalidade. Novalis possui em sua discografia, pelo menos quatro magistrais álbuns, que devem obrigatoriamente fazer parte do acervo daqueles que apreciam o estilo, são eles: "Banished Bridge" (73), "Novalis" (75), "Sommerabend" (76), "Brandung" (77). Infelizmente não conheço todos os outros álbuns que compõem a discografia dessa banda, mas acredito que sejam igualmente de alta qualidade.

Em latim o termo novalis,is significa: "terra deixada em descanso por um ano". No entanto a banda provavelmente foi "batizada" Novalis, em homenagem ao filósofo e escritor alemão, Georg Philipp Friedrich von Hardenberg (1772 - 1801), mais conhecido pelo pseudônimo Novalis (nome que foi utilizado por sua família). Novalis foi um dos mais importantes representantes do romantismo alemão no final do século XVIII e o criador da famosa simbologia da "Flor Azul", um dos símbolos mais duráveis do movimento romântico, certamente em razão de sua inatingibilidade, sob o ponto de vista natural. 

Talvez em razão de sua triste história amorosa (permaneceu noivo por muitos anos com a jovem Sophie von Kühn, mas esta, acometida por uma séria enfermidade, veio a falecer em tenra idade, frustando os planos de matrimônio do jovem Novalis) esse fato acompanhou von Novalis por toda sua vida e refletiu-se em seus textos. Novalis também foi homenageado pelos astrônomos Cornelis van Houten e Ingrid van Houten-Groeneveld, quando em 24 de Setembro de 1960, descobriram um novo asteróide, no Cinturão de asteróides, uma zona do espaço entre Marte e Júpiter, denominando-o de Novalis (asteróide 8052).

Esse primeiro álbum é cantado em inglês, creio que por razões comerciais, visando uma maior aceitação nos países de língua inglesa. Posteriormente, passaram a cantar em sua língua pátria o que no meu entender, embora eu não entenda nada de alemão, contribuiu favoravelmente ao enriquecimento da sonoridade e ao consecutivo amadurecimento musical nos demais álbuns.

Em poucas palavras, trata-se de um trabalho progressivo sinfônico, repleto de influências de bandas italianas (principalmente nos teclados), uma pitada aqui e alí de ELP, Ekseption, dentre outras influências de significativa relevância, que juntas a incipiente, porém, promissora personalidade sonora do Novalis, consegue facilmente agradar aqueles que admiram o progressivo.  

Banished Bridge (1973)

Músicas:
01. Banished Bridge
02. High Evolution
03. Laughing
04. Inside Of Me (Inside Of You)

Músicos:
Jürgen Wenzel: Vocal e Violão
Heino Schünzel: Baixo
Lutz Rahn: Orgão, Piano, Mellotron, Sintetizadores
Hartwig Biereichel: Bateria e percussão

[Obrigado = Thanks]

Novalis - Sommerabend (1976)

Este é o terceiro álbum dessa genial banda que nos agracia com um progressivo extremamente viajante, um pouco espacial e etéreo. O clima narrativo da obra (outra vez em alemão), está plenamente apoiado nos magistrais teclados de Rahn e são de uma competência e originalidade exemplares. A complexidade dos sentimentos e dos acontecimentos são surpreendentemente traduzidos nos belos e suaves arranjos do teclado, definindo com exemplar elegância e originalidade toda a estrutura dessa magistral obra.

Como já mencionei na postagem relativa ao álbum "Banished Bridge", trata-se de uma suíte e nesse ponto, à contragosto, sinto-me obrigado a evidenciar uma das poucas vantagens do CD sobre o vinil. Interromper uma agradável "viagem" para executar o lado "B" do vinil (que contém a música Sommerabend) é de matar...

Gostaria de poder descrever com absoluta justiça e objetividade essa genial obra, porém, infelizmente me faltam palavras que possam de alguma forma sintetizar o seu brilhantismo. Sendo assim, resta-me apenas  a opção de expressamente recomendar sua audição e se possível obter todas as demais obras dessa genial banda, inclusive aquelas não mencionadas aqui nesse mukifu.

Sommerabend (1976)

Músicas:
1. Aufbruch
2. Wunderschätze
3. Sommerabend
a. Wetterleuchten
b. Am Strand
c. Der Traum
d. Ein neuer Tag
e. Ins Licht

Músicos:
Detlef Job: Guitarra, Vocal
Heino Schünzel: Baixo, Vocal
Lutz Rahn: Teclados
Hartwig Biereichel: Bateria

Link gentilmente informado por um visitante:

http://www.megaupload.com/?d=FOQOYEUW