sábado, 3 de abril de 2010

Michael Quatro - In Collaboration With The Gods (1975)

Este álbum do Michael Quatro, estava na minha lista de divulgação desde a inauguração deste blog, mas por absoluta insuficiência de maiores informações sobre o músico e sua obra, fui obrigado a postergar ao máximo sua divulgação. Agora, vencido pela pouquíssima informação disponível, decidi divulgar a obra sem fornecer qualquer informação realmente relevente. O nome Michael "Quatro" talvez pareça familiar, lembrando-nos imediatamente da compositora, cantora, tecladista e baixista "Suzi Quatro" que é sua irmã.

Depois de pesquisar pela rede, descobri que o álbum da presente postagem é o seu terceiro trabalho. Os dois primeiros são: "Paintings" (1972) e "Look Deep In The Mirror" (1973) (ambos contam com a presença de Ted Nugent nas guitarras). Depois desses vieram muitos outros, mas não posso fornecer maiores informações acerca desses álbuns, uma vez que não conheço nenhum deles e acredito que somente o álbum "In Collaboration With The Gods" tenha sido lançado no Brasil.
 

O "In Collaboration With The Gods", embora muito pouco divulgado é uma daquelas obras que não pode faltar no acervo dos apreciadores do progressivo. A composição que dá título ao álbum, que originalmente compreendia todo o lado "A" do LP, é sem dúvida o ponto alto de todo o álbum. Trata-se de um típico progressivo sinfônico de meados da decada de 70, com uma pitada, aquí e alí, de hard rock. Embora sem muitas surpresas é um trabalho muito bem estruturado e arranjado, repleto de excelentes passagens de teclados, guitarras e feitos sonoros. 

Trata-se de um álbum capaz de agradar com facilidade a grande maioria dos apreciadores do gênero e se o caro visitante não conhece, vale a pena ouvir e conhecer mais profundamente este álbum.

 In Collaboration With The Gods (1975)

Músicas:
1. "In Collaboration WIth the Gods"
a) "Theme" (4:07)
b) "Interlude of Ra"
c) "Plutus Lament"
d) "Loki's Gloria" (4:18)
e) "Interlude of Ares"
f)  "Amusement Of Bacchus" (1:26)
g) "Illusion Of Circe"
h) "A Letter to Venus" (2:02)
i)  "Mercury's 20 Seconds"
j)  "Neptunes' Nicromea" (3:03)
k) "Deity's Ditty"
l)  "Messengers From Mars"
m)"Waltz of the Gods" (4:14)
n) "Thor's Salute"
2. "Get Away"
3. "Rockmanninoff's Prelude in C Blunt Funk"
4. "Ave Maria Rock"
5. "Prelude in Ab Crazy II"
6. "Sweet Lovin' "

Músicos:
Michael Quatro:
Baldwin piano, Gretsch Electro piano, Tack piano, Sonic Six, Univox Phaser, Univox Stringman, EC-80 Echo, Elka piano, Hammond, Mini-Moog, Univox Mini-Korg, Electroharmonix boxes, Mellotron, Wah-Wah pedals, Syntha-pedal, Nova Bass, horns, pipe organ, ring modulation, Maestro Theramin sounds effects, eletronic effects.
Teddy Hale: Guitarra
Rick Derringer: Guitarra em "Prelude in Ab Crazy II"
Dave Kiswiney: Baixo e vocal
Kirk (Arthur) Trachsel: Bateria
Flo & Eddie: Special voices

[Obrigado = Thanks]

sexta-feira, 26 de março de 2010

Larry Fast - Synergy - Electronic Realizations For Rock Orchestra (1975)

Lawrence R. Fast, mais conhecido por Larry Fast além de ser um excelente compositor é um especialista em sintetizadores.Cresceu em Nova Jersey, onde estudou piano e violino, mais tarde dedicou-se a construção de sintetizadores, tornando-se um prestigiado consultor técnico em sintetizadores.

Em 1975, Larry Fast decidiu alavancar seu projeto denominado "Synergy", gravando no mesmo ano seu primeiro álbum "Electronic Realizations For Rock Orchestra". Este álbum foi completamente revolucionário em termos de programação de sintetizadores e seqüenciamento, não passando despercebido pelo cenário musical, em razão de sua competência técnica e exemplar habilidade. Logo após o lançamento do seu primeiro álbum, Larry Fast trabalhou como assistente técnico de sintetizadores para a banda alemã Nektar nas gravações do álbum "Recycled". Entre 1977 e 1982, Larry Fast trabalhou como tecladista nos primeiros álbuns solo de Peter Gabriel, e ao longo desses anos vem acessorando muitos artistas de renome.

As atividades de Larry Fast como consultor técnico, são inúmeras não cabendo aqui elencá-las. O que realmente interessa é que o cara é "cascudo" e domina como poucos a nobre arte dos teclados eletrônicos, além de ser um excelente compositor.

Este primeiro álbum é um dos seus trabalhos mais influenciado pelo progressivo, contando com toda uma estrutura musical erudita, riquíssima em andamentos e variações, intercalando com exemplar sensibilidade e elegância momentos líricos, épicos e dramáticos.

Particularmente, nunca fui um admirador de música eletrônica. A habitual onipresença do minimalismo nas composições, a infindável lentidão dos movimentos musicais e alguns dos efeitos eletrônicos que livremente denominei de "chiadeira eletrônica" sempre me incomodaram e me afastaram do estilo. Até que um dia em 1977, numa incursão a um sebo no centro do RJ, encontei  o álbum da presente postagem. Naquela época, desconhecia quem era Larry Fast, bem como, nada sabia sobre o projeto "Synergy", as palavras "Eletronic Realization" me causavam repulsa, por outro lado, as palavras "For Rock Orchestra" me convidavam a conhecer o "safado do LP" (uma medíocre edição nacional com apenas 4 músicas). Depois de muito relutar, resolvi escutá-lo antes de gastar minhas parcas merecas com "chiadeira eletrônica". Para abreviar a história, foi uma verdadeira revelação sonora para mim. Pela primeira vez estava apreciando um trabalho eletrônico e altamente progressivo. Desde então passei a admirar o trabalho desenvolvido pelo genial Larry Fast.

Electronic Realizations For Rock Orchestra (1975)

Músicas:
01. Legacy
02. Slaughter on Tenth Avenue
03. Synergy
04. Relay Breakdown
05. Warriors

Músico, Compositor, Produtor, Arranjador, Engenheiro e Programador:
Larry Fast usa:
Geradores de Som:
Mini Moog, Oberheim Expander Module, Mellotron

Controles de Função:

Mini Moog Systems, Oberheim Expander Module, Oberheim DS-2 Digital Sequencer, Assorted Custom Control Devices, Galvanic Skin Response Voltage Controller, ARP-2600

Processamento de Sinal:

Mini Moog, Oberheim Expander Module, 360 Systems 20/20 Frequency Shifter, Musitronics Phase Shifter, Eventide Clockworks Instant Phaser, Eventide Clockworks Digital Delay.

[Obrigado = Thanks]

terça-feira, 23 de março de 2010

Alceu Valença - Espelho Cristalino (1977)

Acho que vai parecer estranho para alguns dos caros visitantes desse mukifu, deparar-se com a presente postagem. Muitos certamente poderão questionar-se acerca das razões que me levaram a divulgar um material, em tese, "rotulado" por MPB num blog exclusivamente voltado para o Rock, Blues, Jazz e Progressivo.

Porém, este álbum do Alceu Valença, na minha particular opinião, não faz parte daquelas obras que normalmente "rotulariamos" por MPB. Neste álbum, o "mago" Alceu, incorpora em seu cadinho, além de uma significativa porção de folclore nordestino brasileiro, uma generosa porção de rock, promovendo assim, um inusitado e original "fusion" entre o folclore nordestino e o Rock. Trata-se de um complexo e profundo arranjo musical, capaz de realizar a magistral alquimia da "transmutação" de estilos musicais absolutamente distintos,  resultando na completa impossibilidade de se determinar onde termina um e onde começa o outro.

Com letras poéticas repletas de conteúdo político e crítico, uma vocal "arretado" e por vezes até feroz, um conjunto de músicos excepcionais e de altíssima qualificação técnica, esse álbum se revela único e imperdível. Infelizmente este álbum, não chegou a agradar ao público habitual de Alceu. Acredito que o "alto teor" de rock envolvido na composição desse álbum, tenha de certa forma, afastado o seu público e este, por não conseguir entender a proposta musical, também não se interessou em adquirí-lo. É uma lástima, pois na minha opinião este álbum é um dos melhores trabalhos do "mago" Alceu, senão, o melhor.

Não vou tecer qualquer comentário especial sobre as músicas que compõem o álbum, uma vez que ao meu ver, todas são excelentes, mas não seria justo deixar de informar que a ainda atualíssima música "Espelho Cristalino" foi dedicada ao agrônomo, ecologista, indigenista e naturalista brasileiro Augusto Ruschi (1915-1986). "Augusto Ruschi era autoridade mundial em beija-flores e orquídeas; foi um dos primeiros homens a denunciar os efeitos danosos do DDT (utilizado na agricultura) sobre a natureza; a enfrentar a ditadura militar e denunciar o início da derrubada da Floresta Amazônica; a prever a escassez de água no mundo; a prever o aquecimento global; a denunciar o efeito danoso da agricultura em larga escala, com fertilizantes e agrotóxicos. Atribui-se ao brasileiro a idéia original das reservas ecológicas como espaços de preservação de espécies".

Existe ainda uma importantíssima questão de natureza política que não posso deixar de comentar. Este álbum foi lançada em 1977 e naquela época o Brasil era governado pelo General Ernesto Geisel que assumiu o governo de 1974 a 1979 e segundo os "livros didáticos" deu os primeiros e tímidos passos (um para frente e dois para trás) em direção à "abertura democrática" ou como pomposamente foi chamada: "Distensão lenta, segura e gradual". Esse detalhe histórico político deve estar sempre presente na mente do ouvinte, de forma a perceber as sutis questões abordadas pelo grande Alceu, Don Tronxo e Zé Ramalho.


Espelho Cristalino (1977)

Músicas:
01. Agalopado (Alceu Valença) (*)
02. Maria dos Santos (Don Tronxo - Alceu Valença) (*)
03. Anjo de Fogo (Alceu Valença) (*)(***)
04. Veneno (Rodolfo Aureliano - Alceu Valença) (**)(*)
05. Espelho Cristalino (Refrão do folclore alagoano - Alceu Valença) (**)(***)(.)
06. Eu sou Você (Alceu Valença) (**)(##)
07. A Dança das Borboletas (Alceu Valença - Zé Ramalho) (**)
08. Sete Léguas (Alceu Valença) (**)(#)

Músicos:
Alceu Valença: Voz, Violão
Paulo Rafael: Guitarra, Viola (***)
Dicinho: Baixo
Israel: Bateria
Ivinho: Viola (*)
Hermann Torres: Viola (**)
Chiquinho: Acordeon
Beto Saroldi: Flauta, Pífaro
David:Pífaro
Agricio Noya: Maracas, Bongô, Guizos, Reco-Reco, Agôgôs, Triângulo
Louro: Zabumba, Agôgôs (#), Triângulo (##)
Emmanuel Cavalcanti: Coco de Embolar (.)

Coro em "Maria dos Santos", "A Dança das Borboletas" e "Espelho Cristalino ":
Tania Alves, Elba Ramalho, Marlui Miranda, Tinhazinha e Odaires.

[Obrigado = Thanks]

domingo, 21 de março de 2010

Roy Buchanan - You're Not Alone (1978)

Roy Buchanan, sem sombra de dúvida alguma, ainda é um dos maiores guitarristas de Blues de todos os tempos e por contraditório que possa parecer, ainda hoje continua  sendo um dos menos conhecidos guitarristas de Blues do mundo.

Conheci sua técnica, sua genialidade e sua sensibilidade através do álbum divulgado nessa postagem. Esse álbum foi-me indicado pelo grande amigo Beto (da Bausack Discos) - profundo conhecedor de Blues. Com o tempo fui adquirindo alguns outros álbuns do Roy Buchanan e só então, pude constatar que esse álbum é uma exceção na discografia de Roy Buchanan, mas por isso mesmo fundamental.

Rapidamente vou contar algumas passagens da história desse genial músico, de forma que fique mais evidente sua importância no cenário do blues.
 Em 23 de setembro de 1939, nasceu Leroy Buchanan (Roy Buchanan), na cidade de Ozark, Arkansas. Dois anos após seu nascimento, sua família se muda para a cidade de Pixley, California, onde Roy é criado. Aos cinco anos de idade, Leroy já sabia fazer alguns acordes e aos nove anos adquiriu uma Rickenbacker lapsteel e começou a ter aulas com uma professora itinerante. Somente após três anos de aula, é que sua professora descobriu que Roy nunca tinha aprendido a ler música. Em vez disso, ele aprendeu suas lições de ouvido e repetiu-lhes nota-por-nota. Esse fato acarretou no encerramento oficial de suas aulas e Roy dedicou-se então a aprender a arte da steel guitar ouvindo os grandes instrumentistas daquela época, reproduzindo com absoluta fidelidade as músicas de seus ídolos. Em meados dos anos de 1950, com pouco mais de 15 anos, inicia sua carreira profissional como guitarrista.

Durante os anos 60 tocou com diversos artistas e no final daquela década, formou sua primeira banda "Buch & the Snakestretchers". Roy ao longo da década de 60,  já havia conseguido uma sólida reputação entre renomados e prestigiados músicos, inclusive com públicos elogios de John Lennon e Eric Clapton. Mas foi em 1971 que alcançou notoriedade nacional com a divulgação de seu trabalho num documentário de uma hora intitulado "O Melhor Guitarrista Desconhecido No Mundo", o que lhe rendeu ainda, um contrato com a Polydor, onde gravou os álbuns: "Roy Buchanan" (1972), "Second Album" (1973), "That's What I Am Here For" (1974), "Rescue Me" (1974) e "Live Stock" (1975).

A partir de 1976, grava pela Atlantic inúmeros outros álbuns, até que em 1981, decide-se por não entrar mais num estudio novamente, a menos que tivesse a liberdade de gravar sua música à sua maneira. Demorou um pouco para ser contratado pela Alligator, onde segundo ele "- Finalmente estava tocando suas músicas como desejava".

Embora Roy tenha se utilizado de muitas guitarras ao longo de sua carreira, ficou associado a sua Fender Telecaster (1953) apelidada de "Nancy". Em uma entrevista, Roy relata que numa certa manhã, um sujeiro passou pela frente da barbearia onde trabalhava de dia, com uma velha Fender Telecaster debaixo do braço. Roy estava bem no meio de um corte de cabelo, mas ao observar o sujeito com a guitarra, sentiu que aquela era sua guitarra. A paixão pela Telecaster foi tão forte que abandonou o cliente na cadeira e foi para rua, perguntar ao sujeito onde ele havia comprado aquela guitarra. Naquele mesmo dia, antes do sol se pôr, já estava tocando com sua Fender Telecaster.

Inquestionavelmente Roy Buchanan detinha uma técnica original e refinadíssima, capaz de promover uma sincera e profunda admiração por parte de muitos músicos, como por exemplo Jeff Beck, que dedicou a Roy Buchanan, sua versão de "Cause We're Ended As Lovers", contida no álbum Blow by Blow (1975).

Não entendo nada de técnicas de guitarra, suas nomenclaturas ou qualquer informação mais aprofundada sobre a matéria, mas no entanto, sei distinguir, pela simples audição, o que é bom, original, raro e inovador. Só mesmo ouvindo os trabalhos do grande Roy Buchanan, para entender o que estou tentando transmitir nessas mal traçadas linhas, que por incapacidade minha, sinto que não fazem justiça a esse grande mestre da guitarra.

Infelizmente, Roy Buchanan em 14 de agosto de 1988, foi preso por embriaguez. Na manhã seguinte, foi encontrado pendurado pelo pescoço por sua própria camisa em sua cela no Condado de Fairfax, Virgínia. A sua morte foi oficialmente registrada como suicídio, porém essa "conclusão" foi contestada por amigos e familiares de Buchanan. Um de seus amigos, Marc Fisher, relatou ter visto o corpo de Roy, com hematomas na cabeça. Desde então, ficamos sós!

You're Not Alone (1978)

Músicas:
1. The Opening...Miles From Earth
2. Turn to Stone
3. Fly...Night Bird
4. 1841 Shuffle
5. Down By The River
6. Supernova
7. You're Not Alone

Músicos:
Roy Buchanan: guitarra;
Ray Gomez: acoustic & electric guitars;
Willie Weeks: baixo;
Andy Newmark: Bateria

[Obrigado = Thanks]

Visando melhor ilustrar o trabalho do grande Roy Buchanan, seguem em um arquivo separado, quatro verdadeiras obras-primas, que julguei necessário divulgar, considerando que o  álbum "You're Not Alone", não reflete toda a genialidade e a técnica desse brilhante guitarrista. Não deixe de ouvir, são apenas quatro magistrais e absolutamente distintos exemplos de como se toca guitarra.  O cara é excelente. Só não "baixa" quem já tem ou não gosta de Blues!

Bônus:
01. Sweet Dreams (3:32)
02. The Messiah Will Come Again (5:53)
03. I'm Evil (6:15)
04. Hey Joe (8:19)

segunda-feira, 15 de março de 2010

Saint-Preux - Le Piano Sous La Mer (1972)

Talvez o caro visitante não conheça o compositor de música contemporânea erudita, o francês Saint-Preux (1950), cujo verdadeiro nome é Christian Langlade, mas certamente, conhece, pelo menos em parte, sua mais famosa composição "Concerto pour une voix". De fato essa composição é tão conhecida, que até algumas plantas devem conhece-la, no entanto, para facilitar as coisas, estou incluindo ao arquivo, o tema principal como (bonus) para aqueles que não estão ligando o nome a pessoa, no caso, a obra.

Saint-Preux começou ainda cedo a compor e ainda na sua juventude, em agosto de 1969, participou do Festival Internacional da Canção de Sopot, na Polônia. Contando então 19 anos de idade, conduziu com sucesso uma orquestra sinfônica e ganhou um prêmio com a sua primeira grande composição "La valse de l'enfance".

Em razão da grande aceitação e valorização de sua primeira composição, Saint-Preux trabalhou arduamente em sua segunda composição "Concerto pour une voix", gravando-a e lançando-a no mesmo ano (1969). Embora, na maioria das vezes o fato de vender muito, não seja necessariamente sinônimo de qualidade, nesse caso, trata-se de uma obra erudita magnífica, chegando a vender mais de 15 milhões de cópias em todo o mundo.

Com a grande aceitação da obra "Concerto pour une voix" (Concerto para uma voz), Saint-Preux ganhou amplo reconhecimento, colocando o jovem compositor, na vanguarda da cena musical clássica popular.

Sua discografia é relativamente extensa e em sua esmagadora maioria é basicamente voltada para a musica clássica popular. No entanto em dois álbuns "Le Piano Sous La Mer" (1972) e "To be or Not" (1980), Saint-Preux decidiu-se por reformular a estrutura dos instrumentos normalmente utilizados em outras obras, incorporando, nesses dois álbuns, baixo, guitarra, bateria, sintetizadores e efeitos sonoros, além de reduzir drasticamente o número dos instrumentos sinfônicos convencionais.

Resultam dessas duas distintas experiências, duas obras absolutamente singulares, com pitadas de rock, progressivo e eletrônico, mas sem no entanto, eliminar por completo a música clássica popular. Motivo pelo qual, somente recomendo sua audição, em especial o "Le Piano Sous La Mer" aos verdadeiros apreciadores da música clássica popular.

Por último, porém não menos importante, vale salientar que o álbum "Le Piano sous la mer" vendeu mais de 3 milhões de cópias e no meu entender, como apreciador de música clássica popular, trata-se de uma magnífica obra que tem uma incontestável relevância no cenário musical.
  
Le Piano Sous La Mer (1972)

Músicas:
01. Le Depart
02. Le Voyage
03. L'Appel De La Sirene
04. La Tempete
05. Le Naufrage
06. Le Piano Sous La Mer (I)
07. Le Piano Sous La Mer(II)
08. Le Concert Sous-Marin
09. La Rencontre
10. L'Ivresse Des Profondeurs
11. Le Gouffre Amer
12. L'Abime
13. Concerto pour une voix (Bonus)

Músicos:
Violino I: Patrice Mondon
Violino II: Michel Guyot
Alto: Alain Dubois
Violoncelo: André Rolland
baixo: Henri Woitkowiak
Flauta: Thomas Prévost
Piano: Saint-Preux
Guitarra: Claude Engel
Guitarra base: Antoine Rubio
Bateria: Pierre-Alain Dahan
Voz: Christian Padovan
Orquestração de Saint-Preux

[Obrigado = Thanks]

quarta-feira, 10 de março de 2010

Acqua Fragile - Acqua Fragile (1973)

Essa banda italiana de progressivo sem dúvida alguma merece um lugar de destaque entre as incontáveis bandas de progressivo italianas. Infelizmente a banda só gravou dois álbuns: "Acqua Fragile" (73) e "Mass Media Stars" (74). Ambos são excelentes álbuns, repletos de variações temáticas, belos teclados, agradáveis arranjos vocais e muita competência, originalidade e criatividade. Porém, inexplicavelmente a banda não conseguiu projetar-se o suficiente no mercado fonográfico do progressivo a ponto de estabilizar-se e desenvolver um maior número de álbuns e esse lamentável incidente não foi por falta de apoio, uma vez que ambos os álbuns de estúdio foram produzidos pelo PFM.

Existe um terceiro álbum do Acqua Fragile "Live In Emilia - Spring 75", lançado em 1994, com sete músicas do 1º e 2º álbuns mais três músicas inéditas: "Take 9", "Prelude in C Major" e "The End". A banda nesse trabalho ao Vivo, manteve basicamente a mesma formação, com exceção do tecladista que foi substituído por Joe Vescovi. Por não conhecer o material, não posso informar mais que isso.

Este primeiro álbum combina elegantemente o Folk e o Progressivo, e quem ainda não conhece o "Acqua Fragile" poderá surpreender-se com as inesperadas fontes sonoras as quais recorreram seus integrantes para expressarem-se. Logo na "Comic Strip" é impossível não notar a semelhança com o "Gentle Giant". A faixa "Science Fiction Suite", bem que poderia ser um folk nos moldes de "Crosby, Stills and Nash". "Morning Comes" e "Three Hand Man" guardam alguma semelhança com os primeiros álbuns do "Genesis", mas sem no entanto, abandonar o bom tempero italiano que permeia as composições.

Uma das características mais marcantes neste álbum do A.F., contrariando a opinião de muitos outros divulgadores de progressivo, são os belos, agradáveis e originais vocais de Bernardo Lanzetti que funcionam com exemplar eficiência e elegância com a banda, fato que infelizmente não ocorreu, quando juntou-se ao Premiata Forneria Marconi no álbum "Chocolate Kings" somente vindo a integrar-se eficientemente ao PFM no álbum "Jet Lag".

Trata-se de um excelente álbum, que também fez parte da programação da saudosa rádio Eldo Pop e certamente quem não conhece a banda, mas escutou algumas de suas obras pela rádio, não vai deixar de "viajar" ao passado com esse trabalho.

Acqua Fragile (1973)

Músicas:
01. Morning comes
02. Comic strips
03. Science Fiction Suite
04. Song from a picture
05. Education story
06. Going out
07. Three hands man

Músicos:
Bernardo Lanzetti: Vocal, Guitarra
Gino Campanini: Guitarra, Violão, Vocal
Maurizio Mori: Teclados, Vocal
Franz Dondi: Baixo
Piero Canavera:     Bateria, Violão e Vocal

[Obrigado = Thanks]