quarta-feira, 22 de dezembro de 2010

Montrose - Montrose (1973)

Esse é o primeiro álbum solo desse genial guitarrista estadunidense, chamado Ronnie Montrose. Se o visitante leitor, não conhece este álbum, mas conhece algum dos seus trabalhos posteriores, certamente não acreditará que se trata de Ronnie Montrose.

Esse álbum é excencialmente Hard Rock. Para ser mais exato, (me desculpem pelo linguajar), um puta "Hardão", divergindo completamente dos seus trabalhos subsequentes como: 'Paper Money' (1974), 'Warner Brothers Presents...Montrose!' (1975), 'Jump On It' (1976), 'Open Fire' (1978). Depois desses cinco álbuns, Montrose encerra definitivamente a banda 'Montrose' e retorna em 1979 ao cenário musical, com a banda chamada "Gamma" (que infelizmente não conheço), lançando mais três álbuns e seguindo sua carreira até os dias de hoje.

Montrose é um guitarrista "cascudo" e já atuou como músico de estúdio, tendo ainda, participado da formação de várias bandas de artistas consagrados como por exemplo a 'Edgar Winter Group' no álbum "They Only Come Out At Night"(1972).

Conheci o trabalho do Montrose já no seu terceiro e quarto álbuns, e para ser sincero, sempre gostei de suas composições, principalmente aquelas em que há a predominância do violão e da viola "municiados" com cordas de aço. Montrose demonstra uma grande intimidade e virtuosismo com a sonoridade acústica e algumas de suas composições com facilidade remetem o ouvinte à locações "rurais" ou campestres e essas são simplesmente deliciosas.

Nesse álbum inaugural, Montrose explora com exemplar genialidade e maestria toda uma série de técnicas de guitarra elétrica, típicas das memoráveis bandas de hard rock. Além disso, o excepcional vocal do brilhante Sammy Hagar (que abandona a banda após o segundo álbum) completa e enriquece a "pegada" forte e maciça do bom e velho Rock & Roll, concedendo a esse álbum, um inegável lugar de destaque dentre os melhores álbuns de Hard & Rock.

Pessoalmente, recomendo veementemente a audição dessa verdadeira jóia, pela simples razão dela conter uma boa parcela, aqui e alí, de semelhanças sonoras com o que existe de melhor. São rápidas "pinceladas" de 'Black Sabbath', 'Deep Purple', 'Scorpions', 'Rainbown', "Aerosmith', dentre uma série de outras bandas de primeira linha, o que certamente agradará a qualquer um que aprecia o bom e velho Rock & Roll.

Como última observação, embora a banda Montrose possua algumas semelhanças musicais com outras bandas de prestígio, esse álbum possui muita personalidade e esta repleto de excelentes momentos e sutilezas técnicas, sendo assim, sugiro: "For Best Results Play At Maximum Volume".

Montrose (1973)

Músicas:
01. Rock the Nation - 3:03
02. Bad Motor Scooter - 3:41
03. Space Station #5 - 5:18
04. I Don't Want It - 2:58
05. Good Rockin' Tonight (Roy Brown cover) - 2:59
06. Rock Candy - 5:05
07. One Thing on My Mind - 3:41
08. Make It Last - 5:31

Músicos:
Sammy Hagar – lead vocals
Ronnie Montrose – guitar
Bill Church – bass
Denny Carmassi – drums

[Obrigado = Thanks]

quarta-feira, 8 de dezembro de 2010

Johnny Winter - Saints & Sinners (1974)

Nesse álbum, lançado no mesmo ano do LP 'John Dawson Winter III', ocorreram algumas modificações na estrutura principal dos integrantes da banda. O baixo ficou sob a responsabilidade de Dan Hartman e Randy Jo Hobbs, bem como a bateria, que também acabou dividida entre Bobby Caldwell e Richard Hughes.

Como mencionei na postagem anterior, o álbum 'John Dawson Winter III', ainda é, na minha opinião, um dos melhores álbuns do J.W. No entanto, também posso mencionar que não existe álbum 'ruim', em se tratando de J.W., cada um de seus diversos álbuns sempre trazem algumas agradáveis surpresas.

É o caso por exemplo da brilhante faixa 'Dirty',que infelizmente não foi incluída na versão em LP, nela Winter "brinca" com a Steel Guitar enquanto é acompanhado por uma inebriante e magistral flauta, transformando o que seria absolutamente impensável, em concreta e genial realidade musical. Saints & Sinners é um álbum um pouco mais Rock and Roll e um pouco menos Blues, onde todas as faixas merecem destaque especial, mas como isso só alongaria desnecessariamente o texto, deixarei apenas minha veemente recomendação, pois trata-se de mais um excelente álbum do genial J.Winter. Só não posso deixar de mencionar o excelente teclado de Edgar Winter ao longo de todas as faixas, é absolutamente perfeito.

Esta postagem é para o Amigo Paul Barrett (generoso mestre em eletrônica e informática) que não se furtou em me orientar, auxiliar e incentivar, nos momentos de absoluto caos e crise com minhas velhas e arqueológicas MBs.

Caríssimo Paul Barrett, espero que vc. aproveite bem essa postagem e que ela lhe traga excelentes momentos e recordações.
Um Grande e Forte AbraçO!

Saints & Sinners (1974)

Músicas:
01. Stone county (Richard Supa)
02. Blinded by Love (Allen Toussaint)
03. Thirty Days (C.Berry)
04. Stray Cat Blues (M. Jagger - K. Richard)
05. Bad Luck Situation (J.Winter)
06. Rollin' Cross the Country (E. Winter - D. Hartman)
07. Riot in Cell Block #9 (J. Leiber - M. Stoller)
08. Hurtin So Bad (J.Winter)
09. Boney Moroney (L. Willians)
10. Feedback on Highway 101 (an unreleased Van Morrison song)
11. Dirty (bonus track)

Músicos:
Johnny Winter - Guitar, Vocals
Rick Derringer - Guitar
Dan Hartman - Bass
Edgar Winter - Keyboards, Sax
Bobby Caldwell - Drums
Richard Hughes - Drums
Randy Brecker - Trumpet
Alan Rubin - Trumpet
Jeremy Steig - Flute
Lew del Gatto - Trumpet
Jo Jo Gunne - handclaps

[Obrigado = Thanks]

sábado, 4 de dezembro de 2010

John Dawson Winter III - (1974)

Aos 23 de fevereiro de 1944, nascia em Beaumont, Texas, John Dawson Winter III, mais tarde, mundialmente conhecido como Johnny Winter. Pessoalmente somente lá pelos anos de 1977, é que tive o privilégio de conhecer esse verdadeiro mito do Rock and Blues. O primeiro álbum do Johnny Winter que comprei foi o "Captured Live" e a compra do LP ocorreu em razão da capa. A figura esguia, pálida (depois fui saber acerca da sua condição de albino) e o design inovador da sua guitarra (Gibson Firebird) me chamaram a atenção. Felizmente, a capa desse meu primeiro LP não me induziu a erro e desde então, passei a admirar o trabalho desse brilhante guitarrista de Rock e Blues, que como pouquíssimos "branquelos" (dentre eles o genial Roy Buchanan), sempre soube interpretar o bom Blues com brilhante competência, criatividade e originalidade.

O álbum da presente postagem deve ser o 11º álbum de uma longa discografia (algo em torno de  28 álbuns oficiais dentre trabalhos de estúdio e ao Vivo). Embora, infelizmente não os possua em sua totalidade, é até o presente momento, (dos sete álbuns que possuo), um dos meus álbuns preferidos, não apenas pela diversidade do material, mas principalmente pela refinada e exemplar qualidade musical dos solos e dos arranjos.

Não desejava fazer nenhuma recomendação em especial, mas não consigo me conter. Sugiro uma especial audição as seguintes faixas:  'Rock & Roll People', 'Self Destructive Blues', 'Raised On Rock', 'Stranger', 'Pick Up On My Mojo', 'Roll With Me', 'Sweet Papa John' e 'Lay Down Your Sorrows'.

As músicas anteriormente recomendadas e muitas outras de alguns outros álbuns anteriores, sempre estiveram presentes na minha micro discoteca destinada a ouvir no carro (só rock e blues). Antes sob a forma de fitas K7 agora em formato de CD, nunca deixei de escutar o bom e velho J.W., tanto nas ruas como nas estradas. Sempre achei que J.W. tem uma estreita relação com um bom motor de 6 cilindros ou V8, carburado e com escapamento dimensionado, clássicos como Opala, Maverick e Dodge Charger RT são excelentes candidatos e "funcionam" muito bem em parceria com as excelentes guitarras e os vocais do grande Johnny Winter é só deixar o som rolar e afundar o pé (enquanto esvazia os bolsos) rsrsrsrsrs.

John Dawson Winter III - (1974)

Músicas:
01. Rock & Roll People (John Lennon) - 2:43
02. Golden Olden Days Of Rock & Roll - 3:01
03. Self Destructive Blues - 3:28
04. Raised On Rock - 4:39
05. Stranger - 3:54
06. Mind Over Matter - 4:10
07. Roll With Me - 3:03
08. Love Song To Me - 2:06
09. Pick Up On My Mojo - 3:22
10. Lay Down Your Sorrows - 4:05
11. Sweet Papa John - 3:09

Músicos:
Johnny Winter - Guitar, Harmonica, Vocals
Edgar Winter - Piano, Solina Strings, Harpsichord, Organ, Horn Arrangement
Rick Derringer - Guitar
Randy Jo Hobbs - Bass
Richard Hughes - Drums
Kenny Ascher - Keyboards
Michael Brecker - Tenor Saxophone
Randy Brecker - Trumpet
Louis Del Gatto - Baritone Saxophone
Paul Prestopino - Percussion, Banjo, Dobro, Lap Steel
David Taylor - Trombone
Mark Kreider - Backing Vocals: Raised on Rock
Background Vocals: Johnny Winter, Tasha Thomas, Rick Derringer Carl Hall, Monica Burruss, Jackdaw, Dennis Ferrante

[Obrigado = Thanks]

quinta-feira, 25 de novembro de 2010

Grobschnitt - Solar Music Live (1978)

Sem qualquer receio, afirmo que tenho o prazer de divulgar um dos melhores álbuns ao Vivo já lançados e possivelmente um dos melhores e mais representativo álbum dessa genial banda alemã.

Na época do lançamento dessa verdadeira joia fonográfica, eu estava mais atento em aprofundar-me no Jazz-Rock e embora tenha até adquirido na Modern Sound essa obra em LP (versão alemã), não me despertou nenhum profundo interesse. Ficou guardado na prateleira por alguns anos, até receber uma proposta de permuta que na época julguei mais atraente e vantajosa.

Os anos se passaram e num certo dia, enquanto conversava com uns amigos, foi veemente mencionada a genialidade dessa obra. Foi então que percebi, que não conseguia me lembrar de nenhuma passagem musical dessa genial obra. Graças a generosidade de um de meus amigos, presente na conversa, consegui adquirir uma cópia em MP3 do Solar Music Live (versão em CD), que rapidamente aceitei de bom grado, na expectativa de apenas relembrar o material.

Não vou exagerar (aqueles que conhecem o álbum sabem), assim que o som começou foi uma "porrada" nos meus velhos e parcos neurônios restantes. Entrei num estado de absoluto e completo êxtase musical e enquanto apreciava a vasta miríade de sutilezas melódicas, a genialidade e o virtuosismo dos músicos, questionei-me (infrutiferamente) acerca da razão pela qual, em 1978, não me interessei por essa magnífica obra. A única conclusão que cheguei, foi que outra vez, por ignorância minha, deixei, durante anos, de apreciar mais um excelente trabalho.

Essa versão da genial "Solar Music", foi gravada em abril de 1978 em um concerto em Mülheim e possui cerca de 20 minutos mais que a versão originalmente contida do álbum "Ballerman".  Nesse novo arranjo, especialmente dedicado a um verdadeiro Show ao Vivo, repleto de pirotecnias e representações cênicas, tanto o instrumental, como os vocais são impecávelmente perfeitos. Não faltam excelentes duelos de impiedosas guitarras, amparadas por uma bateria e um baixo absolutamente impecáveis, além é claro, dos magistrais teclados que formam toda a estrutura necessária para o desenrolar dessa memorável e excelente apresentação ao Vivo.

Sinceramente, espero que essa postagem seja do agrado de todos aqueles que apreciam o Grobschnitt e as gravações ao Vivo. Particularmente acho esse álbum fantástico e indispensável para aqueles que curtem um som de qualidade.

Solar Music Live (1978)

Músicas:
01. Solar Music I     4:38
02. Food Sicore     3:55
03. Solar Music II     6:03
04. Mülheim Special     10:43
05. Otto Pankrock     6:26
06. Golden Mist     10:56
07. Solar Music III     12:26
08. The Missing 13 Minutes     12:26
09. Vanishing Towards the East     0:35

Músicos:
Joachim Ehrig (Eroc): Bateria
Gerd Kühn (Lupo): Guitarra
Stefan Danielak (Wildschwein): Guitarra, Vocal
Volker Kahrs (Mist): Teclados
Wolfgang Jäger (Popo):  Baixo

[Obrigado = Thanks]

quarta-feira, 17 de novembro de 2010

HAWKWIND - Doremi Fasol Latido (1972)

Esse é o terceiro álbum dessa genial banda britânica, que funde psicodelia, hard rock e space rock com excepcional genialidade e muita competência. Particularmente, na minha insignificante opinião, esse álbum representa um importante marco na musicalidade dessa banda. Embora ainda com uma musicalidade incipiente, algumas composições deixam transparecer com absoluta clareza, qual seria a orientação musical que predominaria a partir desse trabalho.
 Esse período de definição da personalidade musical do Hawkwind compreende os álbuns: "In Search Of Space" (1971), "Doremi Fasol Latido" (1972) e o álbum ao vivo "Space Ritual" (1973). É importante observar que os três álbuns foram profundamente influenciados pelo artista gráfico Barney Bubbles (1942- 1983) e são de certa forma,  uma continuação, quase uma trilogia, baseados nos temas propostos por B.Bubbles.

A Saga de Doremi Fasol Latido é uma coleção de cânticos espaço ritual, hinos e cânticos de batalha estelar de louvor, usado pelo clã familiar de Hawkwind na sua jornada para a terra lendária de Thorasin. O encarte traz uma explanação bem mais aprofundada da saga, mas infelizmente meu parco inglês não permite aventurar-me à traduzi-la.

O título desse álbum como é evidente, se refere à atribuição de sílabas a passos de uma escala diatônica (Do-Re-Mi-Fa-Sol-La-Si), porém, em alguns países o "Si" é vocalizado como "Ti". Partindo da escala diatônica, B.Bubbles, cria uma divagação teórica (muito louca) relacionando as notas musicais com alguns planetas do nosso sistema solar (Marte, Sol, Mercúrio, Saturno, Júpiter, Vênus e Lua) respectivamente. Segundo Bubbles, cada uma dessas esferas emiti um certo tom causado pelo seu deslocamento contínuo do éter. Estes intervalos e harmonias são chamados de "The Sound Of The Spheres". A teoria proposta por Bubbles é muito complexa e como não domino a língua inglesa, não consegui entender nada além do que aqui deixo consignado.

Achei muito interessante a similaridade fonética da terra de Thorasin com a substância comercializada nos EUA sob o nome de Thorazine (Clorpromazina), que nada mais é que um é um antipsicótico típico. Trata-se de uma droga desenvolvida pela primeira vez em 1950 e utilizada para tratar a psicose (em particular, esquizofrenia ). Ao que parece, em prevalecendo a tese da voluntária intenção em fazer referência a droga, estamos diante de uma genial "brincadeira", na qual o Hawkwind crítica com brilhante sutileza e humor nossa insana e pretensiosa sociedade, sugerindo-nos que o equilíbrio e a paz, tão desejado por tantos, talvez somente sejam atingidos através da Thorazine.

Seja como for, esse álbum é fundamental para quem deseja conhecer um pouco da origem musical dessa genial banda. Para os visitantes que conheceram a saudosa rádio Eldo Pop, tem pelo menos duas excepcionais músicas, para relembrar os bons e velhos tempos.

Doremi Fasol Latido (1972)

Músicas:
01. Brainstorm     (11:32)
02. Space Is Deep (6:20)
03. One Change (0:50)
04. Lord Of Light (6:59)
05. Down Through The Night (3:04)
06. Time We Left This World Today (8:43)
07. The Watcher (4:10)
08. Urban Guerilla (Bonus) (3:41)
09. Brainbox Pollution  (Bonus) (5:42)
10. Lord Of Light  (Single Version Edit) (3:59)
11. Ejection (Previously Unreleased Version) (3:47)

Músicos:
Dave Brock: Vocal, Guitarra, Violão de 6 e 12 cordas
Nik Turner: Vocal, Saxofone, Flauta
Lemmy Kilmister: Vocal, Baixo, Violão
Dik Mik: Sintetizadores
Del Dettmar: Sintetizadores
Simon King: Bateria
Músicos adicionais:
Robert Calvert: Vocal em "Urban Guerilla" e "Ejection"
Paul Rudolph: Guitarra on "Ejection"

[Obrigado = Thanks]

quarta-feira, 13 de outubro de 2010

Shadowfax - Watercourse Way (1985) [Windham Hill]

A banda estadunidense Shadowfax, nome esse, possivelmente atribuído a banda em homenagem a J.R.R.Tolkien, autor da saga "Lord Of The Rings" ("Shadowfax" é o nome do cavalo de "Gangalf"), começou em 1972 com Greenberg, Maggini e Stinson que naquela época já compunham suas músicas mas sem maiores pretensões profissionais. Mais tarde, já com algumas obras concluídas, convidaram a participar da banda o tecladista Maluchnik que apresentou-lhes o baterista Nevitt. Estava criada a primeira formação do Shadowfax, que permaneceu na ativa, com algumas alterações em sua formação, até o ano de 1995, quando do falecimento de Chuck Greenberg.

Ao longo desses anos de atividade, Shadowfax produziu uma significativa discografia, mas nenhum desses trabalhos, guarda qualquer semelhança com o material contido no primeiro álbum da banda objeto da presente postagem.

Muitos dos atuais apreciadores da banda, rotulam o trabalho do Shadowfax como New Age. Pessoalmente, para ser sincero, não pretendo perder meu tempo em levantar qualquer debate infrutífero sobre a natureza do New Age ou se a sonoridade desse álbum é ou não é progressiva. Para mim trata-se de música de altíssima qualidade e por não desejar me divorciar do bom senso, recuso-me a levantar questão ou debater sobre o "sexo dos anjos".

O álbum inaugural "Watercourse Way" tem uma história muito peculiar e inédita. O  álbum foi originalmente lançado em 1976 pela Passport Records (produzido por Marty Scott and Larry Fast), tendo sido reeditado em 1985 pela Windham Hill. Até aí, nada de mais, não fossem os relatos de alguns admiradores dessa obra informarem que "muitas das composições sofreram alterações em sua estrutura", com direito a "mutilação" de solos dentre outras "ajeitadas" no arranjo, que segundo os informantes, descaracterizaram dramaticamente a sonoridade da obra original editada em 1976.

Pessoalmente conheci esse álbum na edição de 1985 e achei-o simplesmente fantástico. Riquíssimo em texturas, sabores e aromas. Uma verdadeira obra de arte, que mescla com profunda e brilhante maestria o progressivo, o jazz, o fusion, o rock e uma miríade de outras correntes que resplandecem com infinita luminosidade na utilização de instrumentos como o oboé, a flauta, a cítara e a tabla, incluindo uma generosa e agradável incursão pela música renascentista (Petite Aubade).

Rapidamente posso adiantar que as duas primeiras composições guardam alguma semelhança com as guitarras de Mc.Laughlin e Steve Hillage respectivamente. Em "Book Of Hours" a guitarra num estilo que lembra John Etheridge (Soft Machine) é magistralmente substituída por uma cítara absolutamente mágica e bela, acompanhada de uma percusão exemplar. "Song For My Brother" é a minha faixa preferida. Não apenas pelo belíssimo arranjo, mas essa composição "respira", "pulsa" é como se fosse um ser vivente, que evolui no tempo e no espaço. Não tenho como descrevê-la com absoluta fidelidade, somente ouvindo para entender, pois parece que toda a composição é uma grande brincadeira com a variável "tempo". 

Ainda hoje admiro profundamente a edição de 1985, mesmo por que, até hoje não consegui fazer qualquer distinção entre as duas edições. Para ser sincero, as duas únicas divergência que posso com absoluta certeza mencionar são: A capa; cuja  versão da Passport Records de autoria de Terry Lamb é infinitamente mais bela e que existe uma versão em LP da Windham Hill na qual a "Song For My Brother" possui apenas (3':10"), ao passo que a versão em CD lançada pela Lost Lake Arts possui (9':41") ou seja, a mesma duração da versão original em LP lançada pela Passport Records em 1976.

Seja como for, a versão original de 1976 da Passport Records, trata-se de uma daquelas obras raríssimas e que eu saiba, nunca foi editada em formato de CD. Essa obra somente foi editada em CD pela Lost Lake Arts, baseada na edição de 1985 em LP da Windham Hill, que destinou-se a atender aos pedidos dos apreciadores da banda, que ansiavam por substituir seus antigos LPs editados pela Passport Records, por encontrarem-se já desgastados pelo uso.

Particularmente, salvo engano, acredito que até a presente data, eu não tenha conseguido obter um verdadeiro RIP do LP original de 1976. Tenho vasculhado a rede e ainda não consegui encontrar uma versão que seja realmente divergente da versão da Windham Hill de 1985. Encontrei algumas postagens onde está divulgada a capa original de 1976, mas o material é absolutamente idêntico ao lançado em 1985. Infelizmente, para dirimir qualquer dúvida,  resta-me somente aguardar encontrar alguma generosa alma,  que divulgue um  RIP do LP original.

Shadowfax - Watercourse Way (1985)

Músicas:
01. The Shape Of A Word (Stinson) - 7:29
02. Linear Dance (Stinson) - 5:51
03. Petite Aubade (Greenberg / Stinson) - 5:59
04. Book Of Hours (Maluchnik) - 6:37
05. The Watercourse Way (Greenberg / Stinson) - 6:04
06. A Song For My Brother (Stinson) - 9:41

Músicos:
Chuck Greenberg: Lyricon, Saxophone, Flute, Oboe
Phil Maggini: Bass
Greg Stinson: Guitar, Sitar, Vocals
Doug Maluchnik: Piano, Electric Piano, Synthesizer, Harpsichord
Stuart Nevitt: Drums, Tabla, Percussion

[Obrigado = Thanks]

 Dedico esta singela postagem a memória do grande músico CHUCK GREENBERG 
(1950 - 1995).

quinta-feira, 7 de outubro de 2010

Cactus - Fully Unleashed - The Live Gigs

Essa vida de apreciador da boa música é repleta de acontecimentos estranhos. Principalmente numa época em que não existia a internet. Naquela época ou se comprava o vinil, ou se gravava de algum amigo uma cópia em fita K7. Não haviam outras escolhas. Muitas vezes me vi, por indisponibilidade de recursos financeiros, na incomoda situação de postergar a aquisição de um LP em benefício de outro LP de outra banda.

Ao longo dessa minha vida, o Cactus foi uma dessas bandas que deixei de adquirir muitos de seus álbuns, sempre deixando para mais tarde a sua aquisição. Só lá pelo início da década de 80, através de um conhecido meu (que ao longo desses anos, me fornece acesso barato de muito material fonográfico de qualidade) é que eu fui me dar conta da exemplar qualidade sonora e criativa dessa genial banda estadunidense.

O cara não se cansava de falar sobre o Cactus, tecia longos elogios até que um dia acabei escutando uma parte de um dos álbuns do Cactus (já em CD). Mas assim como no passado mais distante, o trabalho não chegou a me empolgar e não comprei o famigerado CD (a grana não dava para tudo) e acabei preferindo adquirir alguns exemplares do bom e amado progressivo.

O tempo passou e me tornei um apreciador do bom e velho Blues, com especial interesse naqueles temperados com uma generosa porção do mais puro rock'n Roll. Certo dia conversando com esse meu "fornecedor", pedi que ele me recomendasse alguma coisa com uma sonoridade entre o Rock e o Blues, mas que tivesse uma tendência para o hard rock, e não deu outra, o cara colocou na minha mão essa verdadeira jóia que tenho o prazer de agora divulgar.

Esse álbum originalmente composto por 2 CDs, trata-se de uma edição limitada e pelo que sei, a tiragem dessa primeira e única edição foram de apenas 5.000 cópias. Infelizmente a versão que possuo em CD, tem perna de pau, um olho só além de um belo papagaio no ombro e por não ser uma cópia original, infelizmente não veio com o indispensável encarte. Sendo assim, peço desde já dsculpas aos caros visitantes, mas deixarei de oferecer um conjunto de informações mais completas sobre esse magnífico álbum. Não obstante, a qualidade sonora das faixas é de primeira qualidade, límpido e claro como se vc. estivesse na platéia na primeira fileira.

"Fully Unleashed: The Live Gigs", na verdade não é um álbum que tenha sido elaborado como um álbum da discografia oficial do Cactus. Essa verdadeira jóia do Rock e do Blues é uma compilação de material gravado ao vivo, mas que nunca veio a ser efetivamente publicado. Algumas músicas (todo o CD1 e metade do CD2) foram gravadas em 19/12/1971 em Memphis, Tennessee (com a formação original da banda), outras foram capturadas em 28/08/1970 Isle Of Wight Festival, 26/06/1971 no Gillian's Club (Buffalo, NY) e em 03/04/1972 no Mar y Sol Pop Festival em Porto Rico. Em 2004, a Rhino Handmade coletou esse material "esquecido" e lançou o ábum da presente postagem, lançando ainda, em 2007, outro álbum o  "The Live Gigs - Vol.2".

Se o caro visitante não conhece o Cactus, não faça como eu, que deixei de ouvir durante muitos anos, uma das melhores bandas que existe de rock e blues. Se por outro lado, o visitante conhece o trabalho dessa banda, já tem uma noção do inquestionável potencial desse álbum. Trata-se de pura pauleira ao vivo, executada com muita competência e profissionalismo. Espero que todos aproveitem bem!

Fully Unleashed - The Live Gigs

Músicas:
CD1
01. Intro/Long Tall Sally* (12:16)
02. Bag Drag* (3:10)
03. Evil* (16:11)
04. Parchman Farm* (6:21)
05. Alaska* (3:56)
06. Oleo* (11:19)
07. No Need To Worry* (20:18)
08. Let Me Swim* (5:06)

CD2
01. Big Mama Boogie - Parts 1 & 2*
02. Medley: Heeby Jeebies/ Money/ Hound Dog/ What'd I Say*
03. No Need To Worry**
04. Parchman Farm**
05. One Way...Or Another*
06. Bro. Bill*
07. Swim
08. Bad Mother Boogie
09. Our Lil Rock-N-Roll Thing
10. Bedroom Mazurka**

* Previously Unissued
** Previously Unissued On CD

Músicos:
Carmen Appice: Bateria
Tim Bogart : Baixo
Rusty Day: Vocal e Harmonica
Jim McCarty: Guitarra

[Obrigado 1 = Thanks 1]
[Obrigado 2 = Thanks 2]

sexta-feira, 24 de setembro de 2010

The Load - Have Mercy (1977)

Ao que parece estou de volta (enquanto a MB ajudar) e para começar  a comemoração do meu retorno as minhas atividades de divulgação, tenho a honra e o prazer de expressamente indicar aos amigos e visitantes desse mukifu, um trabalho exemplar divulgado pelo Grande Amigo e Parceiro FaustoDevil responsável pelo excelente Blog HOFMANNSTOLL.

Refiro-me ao excelente segundo e último álbum da banda estadunidense THE LOAD, "Have Mercy". Esse trio faz um som progressivo, com meticulosas e bem dosadas pitadas de fusion, psicodelia, além de uma  forte influência da música erudita, influência essa, comum a muitas bandas de Prog., mas que nos teclados de Sterling Smith, assumem uma personalidade muito particular e forte. Seu irmão o baterista Tom Smith detém uma habilidade e técnica igualmente exemplar, merecendo por parte do ouvinte, uma atenção especial aos seus solos e suas sutis e pertinentes criações ao longo das nove faixas. O baixista e guitarrista Dave Hessler não fica a dever absolutamente nada. Sempre presente, seja no baixo ou nas guitarras o cara sabe o que faz. Seus solos são limpos, criativos e empolgantes, participando ativamente na estrutura dos andamentos das composições.

Para ser sincero, fazia algum tempo que não tinha o privilégio de ouvir um álbum tão bom e refinado. A WEB está repleta de "velhas novidades" e algumas, sinceramente nem deveriam receber qualquer menção. Mas felizmente não é esse o caso desse álbum. A faixa "Mobilized" é fantástica, e na minha singela opinião guarda alguma leve semelhança sonora com o Finch, com um leve tempero tipico da Holanda, regado com excelentes teclados, uma bateria muito competente e habilidosa, guitarras magistrais e um baixo preciso e encorpado. Minhas faixas preferidas além da "Mobilized", são: "Something Suite" onde aquela abertura ao estilo Escocês é belíssima, para depois descambar no mais puro fusion, com direito a um longo solo de batera igualmente perfeito; 'Richter Scale" é uma composição simplesmente invejável (que arranjo), uma viagem pelo prog-rock com belíssimos e originais andamentos eruditos (uma verdadeira jóia); "Too Much To Believe" embora o vocal não faça justiça a composição, ao contrário do resultado obtido com a faixa "Choice", a viagem de teclados é fascinante (as vezes o clima da composição me faz lembrar um pouco o Eloy nos primeiros álbuns) mas no entanto, a obra flui com inegável e marcante personalidade. O mais genial é que sem que se espere, momentos depois, estamos novamente percorrendo os caminhos da música erudita (com um stéreo muito bem explorado); "Eitel's Lament" com sua abertura sombria ao estilo Anglagard, após os 7 minutos iniciais, em razão das belas guitarras que sustentam um clima mais otimista, somos pouco depois (aos 9 minutos), irremediavelmente invadidos pela angustia e desespero pelos profundos acordes do teclado, encerrando a composição e o álbum no melhor estilo do progressivo.

Trata-se de um álbum belíssimo, refinado e raro, que não pode deixar de ser degustado por quem gosta de um bom Prog. Mais uma vez o excelente Blog HOFMANNSTOLL, generosamente divulga mais uma preciosidade musical. Recomendo também a audição do primeiro álbum da banda. Embora não possua o brilho instrumental da obra em tela, mas ainda assim poderá agradar aos visitantes.
Parabéns ao Amigo e parceiro FaustoDevil!





Have Mercy

Faixas:
01. Mobilized
02. One Is Gone
03. Something Suite
04. Richter Scale
05. Interstellar Debris
06. The Narrows
07. Choices
08. Too Much To Believe
09. Eitel's Lament (BONUS)

Músicos:
Sterling Smith: Teclados e Vocal
Dave Hessler: baixo e Guitarra
Tom Smith: Bateria

terça-feira, 14 de setembro de 2010

Comunicado de Retorno!

Saudações Caros Amigos!

Comunico meu possível retorno, pois ao que tudo indica, consegui "ressuscitar" minha velha makina. Uma velha placa mãe Asus A7V600, para um Atlon XP 2800+.

Esse mês está particularmente difícil, sob o ponto de vista econômico, como se não bastasse o problema da makina, minha filha "aborrecente" me deu uma cravada de nada menos que R$1.500,00 merecas reais em ligações telefônicas recebidas a cobrar do celular do "vagabundo" do namorado, que aos 19 anos não trabalha nem tão pouco estuda, vive na aba da mamãe e do papai e insatisfeitos com a situação resolveram me ferrar. Resultado, acabei por ter que postergar a aquisição da minha makina, para  honrar meus compromissos financeiros.
 
Sou abolutamente leigo em eletrônica, mas na minha ignorância, sei ao menos distinguir o que é um capacitador e sei fazer uma solda e aí encerram-se todos os meus "profundos" conhecimentos em eletrônica.
Observando atentamente minha placa, constatei que dos inúmeros capacitadores existentes na placa, um havia "vazado" (algo muito parecido com o que ocorre com as pilhas). O "cara" tinha a aparência de uma fruta podre, com um buraquinho mínimo e dele saia um líquido marrom escuro, já ressecado. 
 
Como já estava sem makina mesmo e sem possibilidade de comprar nada, decidi vasculhar meu Cemitério de hardware a procura de um outro capacitor na expectativa de substituir o capacitador defeituoso. Para sorte minha, guardei a antiga placa da minha filha uma Asus A7...alguma coisa, e não deu outra, lá estavam uma porrada de capacitores em perfeito estado e das mesmas especificações.
 
Graças ao auxílio de minha esposa, depois de quase duas horas, só para tirar os capacitadores (o fumado e o íntegro), finalmente conseguimos concluir todo o processo de substituição do capacitor defeituoso e ao que parece, deu tudo certo. A makina despertou de seu sono profundo!
 
Estou em fase de testes. Já baixei alguma coisa, naveguei com tranquilidade e amanhã irei converter e fazer o upload de alguma coisa que ainda não sei o que será, mas sei que tem que ser algo especial para comemorar a ressurreição da minha falecida placa.
 
Mais uma vez, uma velha máxima se apresenta como uma verdade absoluta:
"A necessidade ensina o sapo a pular de costa".
Espero em breve estar definitivamente de volta a divulgação musical!
Um AbraçO!
Mercenário Maldito

sábado, 21 de agosto de 2010

Comunicado!

Saudações Prezados Amigos e Visitantes,



Lamentavelmente minha velha makina "fumou" de vez. A placa mãe morreu.



Infelizmente, como de habito, encontro-me totalmente desprovido de capital, para providenciar a substituição de todo o hardware necessário; placa, processador e memoria.



Sendo assim, informo aos caros amigos e visitantes que não tenho prazo para retornar as minhas atividades aqui nesse Mukifu. Na medida do possível, sempre que puder, contando com a boa vontade de minha amiga, tentarei ao menos publicar qualquer eventual comentário que esteja aguardando por moderação.



Lamento o ocorrido, pedindo a todos um pouco de paciência por eventuais atrasos nas respostas aos e-mails e comentários e pela ausência de qualquer comentário meu nos blogs dos meus amigos e parceiros.



Quero ainda expressamente agradecer a minha grande e melhor amiga Christina, que generosa e gentilmente me emprestou sua makina para elaborar esse comunicado.



Um grande AbraçO!



Muita saúde, paz e harmonia para todos.



Mercenário Maldito

sexta-feira, 20 de agosto de 2010

Som Imaginario - A Matança do Porco (1973)

Esse é o terceiro e último álbum dessa incrível banda surgida nos anos de 1970, composta originalmente pelos exemplares músicos: Wagner Tiso - piano e órgão, Tavito - violão, Luiz Alves - baixo, Robertinho Silva - bateria, Frederiko (Fredera) - guitarra e Zé Rodrix - órgão, percussão voz e flautas.

Com absoluta certeza, o álbum "A Matança do Porco" é o trabalho mais  cobiçado pelos apreciadores da música instrumental, por consistir-se de uma excepcional, vibrante e brilhante fusão de estilos musicais, envolvendo jazz, rock progressivo, música erudita e música regional brasileira.

Mas acima de tudo isso, a banda extrapola o que seria uma simples experiência sonora magistral, criativa e agradável, transmitindo ao ouvinte uma profunda e verdadeira paixão pela obra. O empenho e o amor envolvidos na criação e na execução de cada nota são facilmente capturados pelo ouvinte. São sentimentos, e imagens que fluem de uma maneira tão natural e rara, que por não conseguir descrever com palavras, singelamente digo que invadem o espírito humano (no seu mais amplo sentido) sem que o ouvinte tenha que conscientemente se dedicar a sua audição. Se existem acordes mágicos, capazes de alterar a percepção humana da realidade, esses acordes foram efetivamente revelados na genialidade de Wagner Tiso e por todos os demais músicos que inequivocamente contribuíram para o aperfeiçoamento dessa verdadeira obra-prima.

Recordo-me perfeitamente da primeira vez que tive o privilégio de escutar a magnífica "Armina". Estava em 1980 estacionando meu carro. Quando ia desligar o rádio entraram os primeiros acordes... me lembro que imediatamente o "tempo"  parou. Fazia uma linda manhã de verão e pude então ver, não apenas olhar, o azul do céu, o verde, o amarelo e o marrom das árvores, os coloridos reflexos do sol, os inúmeros feixes de luz que se projetavam pelas copas das árvores, sentia a agradável brisa, fiquei alí imobilizado, tranquilamente fazendo minha "lisérgica" (embora careta) viagem até o final da 'Armina'. Só desliguei o rádio e fechei o carro, quando o locutor da rádio finalmente divulgou a autoria daquela excepcional composição.

Penei muito para conseguir minha primeira cópia em LP, cuja capa foi a escolhida para ilustrar a presente postagem. Tempos depois consegui uma versão mais bem conservada, mas já com a capa que acabou por ser a mais divulgada.

"A Matança do Porco", outra magnífica e exemplar composição, foi composta por Wagner Tiso para o filme "Os Deuses e os Mortos", de Ruy Guerra, que concorreu às premiações do Festival de Berlim, em 1971. Em 1970, "Os Deuses e os Mortos" de Ruy Guerra já havia sido premiado com o Candango de Melhor Filme e Melhor Diretor no Festival de Brasília. Dentre o elenco destacam-se, Othon Bastos, Norma Benguell, Dina Sfat, Ítala Nandi, Mara Rúbia e Milton Nascimento.

Na verdade, o álbum "A Matança do Porco" seria o primeiro álbum solo da carreira do grande músico, compositor, arranjador, regente e pianista Wagner Tiso. Naquela época a banda 'Som Imaginário', por obrigação contratual, ainda devia entregar a gravadora mais um LP. Acredito, que por iniciativa do próprio Wagner Tiso, que já havia composto  grande parte do álbum, além da "A Matança do Porco' para o filme de Ruy Guerra, decidiu-se por entregá-la a gravadora, de forma a cumprir com sua obrigação contratual. Dessa forma, o que deveria ser seu primeiro álbum solo, acabou sendo lançando sob o título "A Matança do Porco", tema principal do filme "Os Deuses e os Mortos", passando assim, a constar como um álbum pertencente a discografia da banda Som Imaginário.

Existe ainda uma interessante curiosidade que está escondida no nome da belíssima "Armina". Pessoalmente sempre pensei tratar-se de um nome próprio, possivelmente de alguma bela e formosa mulher, que tenha de alguma forma arrebatado Wagner Tiso. Recentemente descobri, que 'Armina', na verdade trata-se de uma corruptela da expressão "As Minas", ou seja, traduzindo para os mais jovens: "As meninas", "as gurias", "as mulheres", naquela época (no Rio de Janeiro) nos referíamos "as meninas" como "As Minas". Como Wagner Tiso era muito assediado pelo público feminino, seus parceiros, sempre o cumprimentavam perguntando: "E as minas?".

A Matança Do Porco (1973)

Músicas:
01. Armina
02. A 3
03. Armina (Vinheta 1)
04. A Nº 2
05. A Matança Do Porco
06. Armina (Vinheta 2)
07. Bolero*
08. Mar Azul
09. Armina (Vinheta 3)**

Todas as composições foram escritas por Wagner Tiso, exceto:
 * por Milton Nascimento/Luís Alves/Tiso/Tavito/Robertinho Silva
 ** por Luís Alves/Tiso

Músicos:
Wagner Tiso: Teclados
Luís Alves: Baixo
Robertinho Silva: Bateria
Tavito: Guitarra de 12 cordas (2,3,7)
Frederiko (Fredera): Guitarra (1,3,5)
Chico Batera: Percussão (2,4,5)
Danilo Caymmi: Flauta (2,7,8)
Chiquito: Guitarra (2,4,8)
Golden Boys e Milton Nascimento: Vocais (5)
Orquestra Odeon sob a regência de Arthur Verocai

[Obrigado = Thanks]

Dedico esta singela postagem a Memória do grande músico, compositor, arranjador, saxofonista, clarinetista e mestre de Teoria Musical de Wagner Tiso, o inesquecível e inigualável  
Paulo Moura (15/07/1932 - 12/07/2010).

sábado, 14 de agosto de 2010

Pequeno Tributo ao Genial e Eterno Raul Santos Seixas

Particularmente não gosto de coletâneas ou compilações, pelo simples fato de que as gravadoras, na sua esmagadora maioria, visando obter o máximo de lucro possível, quando se propõem a realizar uma coletânea ou compilar uma retrospectiva musical de algum determinado artista, "montam" um repertório musical fraco, repleto de banalidades, onde com muito boa vontade somente uns 40% ou menos do material é realmente relevante e representativo.

Em Agosto desse ano, completam 21 anos que o Grande Raul Seixas "despertou do sonho da vida". Foi pensando em homenagear o Grande Raul Seixas, que elaborei essa singela compilação de algumas de suas melhores e inesquecíveis obras.

Pessoalmente, sei que deixei de fora muito material musical de primeira qualidade, mas como meu projeto inicial era divulgar o material em APE ou FLAC, tive que restringir minhas escolhas de forma que o material coubessem em um único CD. Originalmente, tinha em mente elaborar e divulgar dois CDs, contendo um resumo digno das eternas obras do mestre Raul, mas particularmente acredito que a idéia original não seria do interesse dos ilustres visitantes.  

Infelizmente, após concluída a seleção das faixas (tarefa nada fácil), percebi que teria de divulgar a compilação em três gigantescos arquivos, o que para muitos de nossos visitantes não se tornaria atraente.  Sendo assim, decidi-me por divulgar o material em MP3_320, visando minimizar o tempo de download, na expectativa de agradar aos Gregos e aos Troianos.

Espero sinceramente que esta humilde homenagem, agrade aos ilustres visitantes, amigos e amigas, uma vez que tentei da melhor forma possível, sintetizar em apenas 23 obras, uma profícua carreira musical repleta de brilhantes, inspirados e inesquecíveis momentos.

Esse grande cantor, compositor, pensador e filósofo, nasceu em Salvador aos 28/06/1945 e faleceu em São Paulo em 21/08/1989. Ao longo de sua vida, curtos 44 anos, foram lançados inúmeras obras entre álbuns de estudio, ao vivo e álbuns póstumos. Mas não vou aqui alongar-me em sua história, carreira e outros detalhes sobre a vida desse genial artista. Deixarei apenas uma sugestão de visita aos excelentes sites abaixo mencionados, para que o visitante-leitor, se assim desejar, aprofunde seus conhecimentos sobre a vida e a obra do grande Mestre Raul Santos Seixas.


Embora eu seja um radical admirador do progressivo, jazz, rock e blues, uma enorme parcela  das obras do Mestre "Raulzito"(se é que ele me concede essa intimidade), sempre me "falaram" profundamente à minha alma. E por estranho que possa parecer, na medida em que envelheço, mais admiro a sua inesgotável sabedoria, inteligência e criatividade, que sem dúvida alguma, sempre esteve muitos anos luz a frente do nosso tempo.

Mestre Raulzito, foi um exemplar e astuto observador da natureza humana e da nossa sociedade e soube, como ninguém o fez até a presente data, retratar com inclemente e verídica causticidade, nossas falhas, nossos preconceitos, nossas raras e eventuais virtudes, desnudando com absoluta fidelidade e cristalina  objetividade, em versos e poesia, uma significativa parcela do que somos, do que acreditamos ser e do que deveríamos ser. Seguem alguns de seus geniais e sábios pensamentos "garimpados" pela rede, que podem ainda que palidamente, ratificar minha insignificante opinião.

"A arte de ser louco é jamais cometer a loucura de ser um sujeito normal."

"Ninguém tem o direito de me julgar a não ser eu mesmo. Eu me pertenço e de mim faço o que bem entender."

"Só há amor quando não existe nenhuma autoridade."

"A desobediência é uma virtude necessária à CRIATIVIDADE."

"Ninguém morre, as pessoas despertam do sonho da vida."

"Quero a certeza dos loucos que brilham. Pois se o louco persistir na sua loucura, acabará sábio."

"Eu não sou louco, é o mundo que não entende minha lucidez."

"A formiga é pequena, mas elas são um exército quando juntas."

"Que capacidade impiedosa essa minha de fingir ser normal o tempo todo."

"Antes de ler o livro que o guru lhe deu, você tem que escrever o seu."

"É pena eu não ser burro... não sofreria tanto."

"Um sonho sonhado sozinho é um sonho. Um sonho sonhado junto é realidade".

"Do materialismo ao espiritualismo é uma simples questão de esperar esgotarem-se os limites do primeiro".

"O sonho do careta é a realidade do maluco".

"Deus é aquilo que me falta para compreender o que eu não compreendo".

"Querer o meu não é roubar o seu!"


Músicas:
01- Eu nasci Ha Dez Mil Anos Atrás (Ha Dez Mil Anos Atras)
02- Tente Outra Vez (Novo Aeon)
03- Krig-ha Bandolo (Krig-ha Bandolo)
04- Maluco Beleza (O Dia Em Que A Terra Parou)
05- O Dia Em Que A Terra Parou (O Dia Em Que A Terra Parou)
06- Carpinteiro do Universo (A Panela do Diabo)
07- A Hora do Trem Passar (Krig-ha Bandolo)
08- Sapato 36 (O Dia Em Que A Terra Parou)
09- Como Vovó Ja Dizia (O Medo Da Chuva)
10- Gita (Gita)
11- Quando Eu Morri (A Panela do Diabo)
12- O Trem Das 7 (Gita)
13- Eu Tambem Vou Reclamar (Ha Dez Mil Anos Atras)
14- Sociedade Alternativa (Gita)
15- As Aventuras de Raul Na Cidade (Gita)
16- Ouro de Tolo (Krig-ha Bandolo)
17- Aluga-se (Abra-te Sessamo)
18- Eu Sou Egoista (Metro Linha 743)
19- O Suicidio parte II (Camisa de Venus/Duplo Sentido)
20- Babilina (O Carimbador Maluco)
21- DDI (O Carimbador Maluco)
22- O Conto do Sabio Chines (Abra-te Sessamo)
23- Canto Para Minha Morte (Ha Dez Mil Anos Atras)

[Obrigado = Thanks]

Ao Grande Mestre Raul Santos Seixas.

sexta-feira, 6 de agosto de 2010

[Re] Kansas - Two For The Show (1978)

Após ter os arquivos iniciais dessa postagem, sumariamente excluídos do servidor, decidi-me por insistir na minha conduta "delituosa" e novamente divulgar esse maravilhoso álbum. O pior que poderá acontecer é fecharem esse mukifu. Sugiro que os interessados pelo material não percam tempo. 

Este álbum é certamente um dos melhores trabalhos capturados ao Vivo (na linha do progressivo) que já tive a oportunidade de ouvir. Acredito que muito do sucesso desse álbum, se deva ao fato de consistir-se num "resumo" muito bem elaborado e executado dos primeiros álbuns do 'Kansas', sendo pois, na minha insignificante opinião, um dos mais bem acabados, significativos e exemplificativos álbuns da carreira de uma banda.

A versão que tenho o prazer de divulgar é uma versão japonesa de 2008, (edição comemorativa do 30º aniversário de seu lançamento - 2 CDs). Originalmente 'Two For The Show', consistia-se em um álbum duplo, compreendido no 1º CD, acrescido da faixa 'Closet Chronicles' (inclusa do 2º CD), que antecedia a última faixa 'Magnum Opus'. A grande novidade dessa versão, além de ter sido totalmente remasterizada, está na inclusão de nada menos que 10 (dez) músicas, somando aproximadamente 68 minutos de músicas adicionais, capturadas durante aquela turnê e que não foram incluídas nem na versão em LP, nem nas versões em CDs posteriormente lançados, permanecendo, por assim dizer, inéditas por 30 anos.

A única informação acerca desse álbum que comentarei, trata-se da nobre e exemplar dedicatória que a banda 'Kansas' faz a John Hoffert, que na época com 14 anos, após assistir ao show do 'Kansas', ao regressar para sua casa no Texas, envolveu-se em um acidente automobilístico, resultando na perda total da sua visão. Como o show do 'Kansas', em tese, foi sua última experiência visual, a banda dedicou esse álbum ao jovem John.

Não vou me alongar em qualquer outro comentário acerca desse álbum ou sobre a banda 'Kansas', solicitando que o visitante-leitor, enquanto executa o download dessa verdadeira preciosidade, visite o excelente blog do grande amigo Lord Gustavo - 'Nas Ondas da Net', onde encontra-se uma magistral resenha sobre esse álbum e sobre o 'Kansas'.

Minha solicitação e expressa recomendação, tem como objetivo retribuir, além de evidenciar um fato que merece ser amplamente divulgado, pois trata-se de uma atitude moral, atualmente rara, digna e honrada e pouquíssimas vezes constatada sob a forma de atitudes concretas.

Eis os fatos:
Nas vésperas de publicar a presente postagem, por uma "estranha" sintonia musical, Lord Gustavo acabara de publicar em seu blog 'Nas Ondas da Net', sua magnífica postagem divulgando o presente álbum em versão original. Imediatamente após tomar conhecimento da existência da presente versão (mais completa), gentilmente e livre de qualquer vaidade e/ou orgulho, voluntariamente,  se propôs a retirar seu link, em favor dos links aqui disponibilizados, visando assim, não dificultar aos internautas visitantes, que acabariam por ter que realizar todo um novo download, de forma a manter a integridade da qualidade do material aqui divulgada em 320 kbps.

Com certeza são atitudes como a tomada por Lord Gustavo, desprovidas de sentimentos mesquinhos e pequenos, que renovam nossa esperança em uma sociedade mais fraterna, equilibrada e efetivamente  compartilhadora.

Sendo assim, espero que os visitantes-leitores, retribuam a gentileza e abnegação de Lord Gustavo, visitando seu excelente blog, lendo sua exemplar e invejável resenha e se possível (não custa nada), deixando algum comentário sobre sua excelente matéria e sua nobre e elegante atitude.

Considero tal atitude, diante de todo o exposto, uma questão de honra e o mínimo a ser realizado por qualquer indivíduo pensante, que anseie por um mundo melhor. Pois no final, são as pequenas atitudes individuais, que movimentam o "pesado" mecanismo das mudanças sociais, morais e políticas.

Two For The Show (1978)

Músicas:
Kansas - Two For The Show - CD1
01. Song For America
02. Point Of Know Return
03. Paradox
04. Icarus-Borne On Wings Of Steel
05. Portrait (He Knew)
06. Carry On Wayward Son
07. Journey From Mariabronn
08. Dust In The Wind (Acoustic Guitar Solo)
09. Lonely Wind (Piano Solo)
10. Mysteries And Mayhem
11. Excerpt From Lamplight Symphony
12. The Wall
13. Magnum Opus

Kansas - Two For The Show - CD2
14. Hopelessly Human*
15. Child Of Innocence*
16. Belexes*
17. Cheyenne Anthem*
18. Lonely Street*
19. Miracles Out Of Nowhere*
20. The Spider*
21. Closet Chronicles
22. Down The Road*
23. Sparks Of The Tempest*
24. Bringing It Back*
* BONUS TRACK

Músicos:
Steve Walsh: Vocals And Keyboards
Kerry Livgren: Guitars, Keyboards
Phil Ehart: Percussion
Dave Hope: Bass
Robbie Steinhardt: Violin, Vocals
Rich Williams: Guitars

[Obrigado 1 = Thanks 1]
[Obrigado 2 = Thanks 2]

quarta-feira, 21 de julho de 2010

Jane - Here We Are (1973)

Dando continuidade a grande parceria entre esse mukifu e o excelente blog HOFMANNSTOLL do parceiro e amigo Faustodevil, sugiro ao visitante-leitor, a imediata visita ao HOFMANNSTOLL, visando desfrutar, não apenas da oportunidade de conhecer mais esse maravilhoso trabalho do Jane, como também, aproveitar dos excepcionais comentários e conhecimentos dos amigos Roderick Verden e Faustodevil, que enriquecem e dignificam ainda mais, a difícil e nobre arte da divulgação musical pelos blogs que se empenham em divulgar textos de altíssima qualidade, proporcionando aos visitantes informações pertinentes, exemplares e robustas.

Muito obrigado amigo Fausto, por ter prontamente se dedicado a divulgar essa jóia, que agora poderei finalmente conhecer. Quando o amigo Roderick Verden, brilhantemente dissertou sobre esse álbum, fiquei profundamente interessado em conhecer esse trabalho.  

Não perca mais tempo, visite agora mesmo o blog HOFMANNSTOLL e constate que não estou exagerando.

sexta-feira, 16 de julho de 2010

OS BLOG NÃO PRATICAM A “PIRATARIA”, SÃO DIVULGADORES FUNDAMENTAIS PARA A PRESERVAÇÃO DA MÚSICA DE QUALIDADE

A presente matéria surgiu de uma troca de idéias com o amigo e parceiro Luiz Carlos Barata Cichetto, (dono do magnífico Site 'A Barata'), que me sugeriu um texto mais detalhado, com o objetivo de divulgá-lo em seu magnífico Site e em sua Revista e assim, tentar estabelecer um  debate sobre o tema.

1- INTRODUÇÃO

Como o próprio título já induz, tentarei estabelecer a natureza desses dois conceitos absolutamente distintos, mas que infelizmente não são assim compreendidos pelas gravadoras, pelos artistas ou mesmo por aqueles que se utilizam do material divulgado (o próprio internauta).

segunda-feira, 5 de julho de 2010

Jane - Jane III (1974)

Esse é o terceiro álbum dessa genial banda alemã, que possui uma consistente discografia composta por: (1972) 'Together', (1973) 'Here We Are', (1974) 'Jane III', (1975) 'Lady', (1976) 'live at home', (1976) 'Fire, water, earth & air', (1977) 'Between Heaven And Hell', (1978) 'Age of Madness', (1979) 'Sign No. 9', (2002) 'Genuine', (2009) 'Traces'.

Infelizmente só possuo o 1º e o 3º álbuns, desconhecendo completamente os demais trabalhos, cheguei a escutar (na casa de amigos) alguns poucos trabalhos, mas isso foi no tempo em que as aves tinham dentes e naquela época, somente me interessei pelos dois álbuns anteriormente citados. Tal fato, me desqualifica para tecer qualquer comentário relevante acerca dessa banda, pois se o fizesse, certamente seriam comentários desprovidos de conteúdo, tendenciosos e por tal razão imprestáveis.

Por reconhecer minha imperdoável ignorância e limitação, convidei o grande amigo Roderick Verden, que tive o privilégio de conhecer aqui nesse mukifu, para realizar uma resenha  mais consistente. Roderick, não se furtou em compartilhar conosco de seus conhecimentos e elegantemente aceitou o convite, generosamente escrevendo:

"E a banda Jane grava seu terceiro álbum,"Jane III". Um trabalho bem mais hard rock que os anteriores, tanto que não há tecladista, o único teclado que escutamos é um piano tocado pelo guitarrista Wolfgang Krautz. As guitarras predominam.

O baixista Charly Maucher, que participou do "Together", volta à banda, e desta vez é o lead vocalista. Muito apreciado pelos fans da banda, "Jane III", a meu ver, mesmo sendo um bom e diferente trabalho, não é dos melhores álbuns gravados pelo grupo.

As duas primeiras faixas foram muito executadas na Rádio Cultura, de BH. E a segunda, "Mother, You don't know" é minha preferida, com um riff bem pesado de guitarra (parecido com "When You're In", do Pink Floyd).

A capa é belíssima, sendo que a mulher da foto parece com a atriz terrorífica, Ingrid Pitt. Tenho o vinil nacional, comprado em 1976, quando eu possuia, no máximo, uns 50 lps.

O Jane é um grupo bem peculiar. Além das mudanças constantes na formação, ocorreu igualmente mudanças no seu som. Enquanto no primeiro disco (Together) não havia música instrumental, no segundo gravaram três, sendo que uma delas é a faixa de abertura.

No primeiro, eles tinham um vocalista, que só ficava por conta de segurar um microfone (rs), no segundo, o vocal é feito pelo baterista. Tal álbum contém talvez a melhor música do grupo: "Out on the Rain", é o que costumo chamar de balada progressiva, com refrão contagiante, um mellotron que dá um clima viajante e um belíssimo solo de guitarra. Em duas das faixas instrumentais, escutamos vozes femininas. Não é um disco tão ousado como o "Together", de músicas mais curtas e de pouco tempo de audição (no máximo 33 minutos), mas é um belo disco.

No disco seguinte, "Lady", voltam a ter tecladista, e é esse que faz o vocal (a meu ver, o pior cantor que já passou pelo Jane). Na parte das teclas, o orgão continua predominando, mas escutamos piano elétrico (o Jane nunca foi muito de usar piano) em duas faixas, há a presença de sintetizador tb. As músicas são um pouco mais curtas e simples.

Em 1976, Jane gravou um álbum duplo ao vivo, cuja grande novidade (coisa rara em discos ao vivo) é que metade dele é composto de faixas inéditas. Nas músicas conhecidas, não há nada demais, já que o Jane não é muito de improvisar, mas as inéditas são ótimas, uma delas é uma suite que ocupa um lado todo do LP. Uma das características do rock alemão, é que quase sempre é formado de bandas loucas, o Jane não o é, sua música não é bem humorada.

Já o "Fire, Water...", na minha execrável opinião, é o mais progressivo de todos, tipo Space Rock, com muito sintetizador. Desta vez, o guitarrista assume os vocais.  Em 1977 lançaram o ótimo "Between Heaven and Hell". Neste álbum, pela primeira vez o Jane nos apresenta uma suite, que ocupa todo um lado do LP, uma música experimental e soturna, com aquele toque hard-prog da banda. Mas, minha preferida é "Twilight". Se alguém pedisse que eu indicasse uma música que revela bem como é o estilo do Jane, indicaria a citada faixa: hard rock progressivo, com belas variações...

Daí em diante, o grupo continua a nos surpreender, no "Age of Madness", o ecletismo chega a tal ponto, que nem parece ser um disco de uma banda só, parece aqueles discos com uns 5 conjuntos. Há quem não goste desse álbum, eu adoro!

Dos anos 80, só conheço bem dois álbuns. O de 1980 é bem querido pelo público, mas tem as características de certos discos oitentistas: músicas mais simples e comercias, com solos curtos, embora ainda haja melodias sofisticadas, e, pela segunda vez, ingressa no Jane, um cantor segurador de microfone (rs), que faleceu pouco tempo depois da gravação do disco. O trabalho de 1982, é bem curioso tb, pois o grupo se tornou um trio. O baixista/vocalista, que participou do "Jane III", volta, e o som é bem pesado, porém com músicas mais curtas e solos idem- sem teclados.

Tenho dificuldade em escolher um disco melhor do Jane. Talvez seria o "Fire, Water, Earth & Air" (pena que o meu cd é mal gravado-som muito baixo). O "Together" é um dos melhores, um típico disco setentista prog/hard, estilo seguido pelo Jane.

Um disco bem subestimado do grupo, é o "Sign No 9". Não fiz fé quando percebi que o Jane estava sem tecladista, mas o grande Klaus Hess saiu-se bem nos teclados. Adoro tal disco.

Pelo grupo passaram muitos bons músicos; os teclados sempre foram importantes no som da banda; o saudoso baterista Peter Panka não pode ser ignorado, mas "Jane" sem Klaus Hess não é Jane. Penso que se não fosse ele, o grupo não decolava. O homem carregou o "Jane" nas costas.

Um detalhe interessante. O "Jane" foi especialista em nos apresentar cantores, digamos, não tão bons assim...rs. A parte vocal nunca foi grandes coisas, eu penso. Na minha humilde opinião, seu vocalista de voz mais agradável, foi o discreto baixista Martin Hesse"
.


Muito obrigado caríssimo amigo Roderick Verden! Não tenho palavras para agradecer-lhe pela sua generosa contribuição, que com certeza em muito enriquece o conteúdo desse insignificante mukifu. Foi uma honra poder contar com sua generosa participação, além de poder desfrutar de seus valiosos conhecimentos. 
Mais uma vez obrigado! Salvas-te essa postagem, pois sem a sua colaboração, o material permaneceria indefinidamente no servidor hospedeiro, pois como mencionei na abertura da postagem, não possuo o seu  vasto conhecimento, necessário a elaboração dessa primorosa resenha.

Jane III (1974)

Músicas:
01. Comin' Again
02. Mother, You Don't Know Me
03. I Need You
04. Way To Paradise
05. Early In The Morning
06. Jane-Session
07. Rock'N'Roll Star
08. King Of Thule
09. Baby, What You're Doin'

Músicos:
Klaus Hess: Guitarras
Wolfgang Krantz: Guitarras, Piano
Charly Maucher: Baixo, Vocal
Peter Panka: Bateria, Percussão, Vocal

[Obrigado = Thanks]

domingo, 4 de julho de 2010

Grand Funk Railroad - Caught In The Act - (1975)

Já faz um bom tempo, que quero divulgar uma banda de puro Rock'n'Roll. Infelizmente meu acervo pessoal não é robusto o suficiente para que eu possa divulgar, pelo menos, uma banda por mês. Depois de muito ponderar, aproveitando-me da inauguração do marcador dedicado aos álbuns Ao Vivo, decidí-me pelo excelente 'Caught In The Act', dessa genial banda Norte Americana, que originalmente foi lançado sob a forma de álbum duplo.

Dessa vez, não me atreverei a elaborar nenhum histórico dessa genial banda. A história é relativamente longa e a banda Grand Funk Railroad, merece um texto de qualidade, somente possível através de uma leitura mais aprofundada.

Ao longo de minhas pesquisas, deparei-me como um excelente Histórico dessa banda (em português), extraída da saudosa e no meu entender, a melhor publicação de Rock e Progressivo já lançada no Brasil. Refiro-me a Revista “Rock, a História e a Glória”, editada no Rio de Janeiro, nos anos 70 e alguma coisa, por feras como Ana Maria Bahiana, Tarik de Souza, Okky de Souza e Ezequiel Neves. Até hoje ainda guardo alguns exemplares que tive a oportunidade e a felicidade de adquirir na época, mas estão tão "bem guardados" que não consegui localizá-los para informar o ano exato da publicação. Em fim, quem quiser ler um pouco sobre a história do Grand Funk deve visitar: http://pt.wikipedia.org/wiki/Grand_Funk_Railroad

Aqui vou abrir um espaço para oferecer uma dica imperdível para o pessoal que deseja conhecer um pouco mais da história daquela genial revista de Rock. Visite o excelente site  "abarata" na seção "A Arca da Barata":
Neste site, além de uma excelente descrição da revista “Rock, a História e a Glória”, existem impagáveis e inteligentes matérias sobre a vida na "Era Pré-Internética", (termo brilhantemente criado pelo autor do site) Luiz Carlos "Barata" Cichetto. Vale a pena visitar e relembrar os bons tempos que não voltam mais, principalmente se o visitante possuir mais de 40 anos. Se por outro lado, o visitante for mais  novo,  certamente se surpreenderá com a possibilidade de vida  na "Era Pré-Internética". Não deixe de vasculhar criteriosamente este agradável e raro espaço. O site é vasto e tem muito material de excelente qualidade, onde são abordados os mais variados temas, abrangendo, literatura, música, filmes, política e muito mais.   

Mas voltemos ao álbum 'Caught In The Act', que na minha insignificante opinião, é um dos melhores trabalhos ao Vivo que conheço, álbum onde o bom e velho Rock'n'Roll, é apresentado com toda a sua explosiva , energética e devastadora vibração de alegria. Não faltam momentos memoráveis das guitarras de Mark Farner, da bateria de Don Brewer, dos baixos de Mel Shacher, dos teclados de Craig Frost e do genial arranjo vocal que permeia toda a referida obra.

A começar pela qualidade e originalidade da capa e da contra capa, compostas por um belíssimo mosaico de fotos dos shows da turne de 1975, tudo nesse álbum me parece perfeito. Pena que na versão em CD, boa parte do impacto das fotos é ofuscado pelo reduzido tamanho das imagens. Outro ponto a ser mencionado é a exemplar qualidade da gravação, ainda tenho meu LP duplo, versão Americana, e ao colocá-lo para rodar, parece que estamos na platéia, a poucos metros do palco.

O repertório escolhido para formar esse magnífico álbum, em linhas gerais foi muito bem montado, abrangendo verdadeiros clássicos do Rock'n'Roll, que ilustram com exemplar fidelidade o perfil sonoro dessa genial banda. Claro que ficaram de fora algumas obras igualmente importantes do Grand Funk, e em seu lugar colocaram algumas canções mais comerciais, mas isso não reduz o brilho desse magnífico e imperdível álbum. Um verdadeiro clássico dentre os álbuns ao Vivo. Esse álbum traz a melhor versão que já escutei na minha vida da música 'Gimme Shelter'.

Espero que apreciem.

Caught In The Act - (1975)

Músicas:
01. Foot Stompin' Music'
02. Rock & Roll Soul
03. Closer To Home
04. Heartbreacker
05. Some Kind Of Wonderful
06. Shinin' On
07. The Loco-Motion
08. Black Licorice
09. The Railroad
10. We're An American Band
11. T.N.U.C.
12. Inside Looking Out
13. Gimme Shelter (M.Jagger & K. Richards)

Músicos:
Mark Farner: Guitarra, Vocal, Orgão, Harp
Don Brewer: Bateria, Vocal
Mel Shacher: Baixo, backing vocal
Craig Frost: Teclados, backing vocal
The Funkettes: Lorraine Feather e Jana

[Obrigado = Thanks]

quarta-feira, 30 de junho de 2010

Brian Eno - Before and After Science (Fourteen Pictures) - (1977)

Esse álbum é no meu entender o segundo melhor trabalho do grande Brian Eno, só perdendo para o álbum "Here Comes The Warm Jets" (já divulgado nesse mukifu). 'Before and After Science' é de um trabalho mais suave e sereno, imerso numa atmosfera mais contemplativa e intimista.

Nesse álbum, Eno formalmente apresenta ao público, um antigo projeto que começou possivelmente em  meados dos anos 60 em parceria com o artista, pintor e professor Peter Schmidt (falecido em 22/01/1980). Trata-se de um conjunto de cartas, nos moldes de um "Oráculo", chamado 'Oblique Strategies', que segundo seus idealizadores, tem por objetivo auxiliar a tomada de decisões, principalmente no âmbito do processo criativo. Segundo o próprio Eno, esse conjunto de cartas foi extensamente usado na elaboração do álbum em tela e a julgar pela qualidade musical do álbum, parece que realmente funciona, pelo menos para o próprio Eno.

Peter Schmidt já colaborava com Eno na elaboração das capas dos álbuns 'Taking Tiger Mountain (By Strategy)' (74) e no álbum 'Evening Star' (74/75) de Eno com Robert Fripp, mas somente nesse álbum 'Before and After Science' é que Eno expressamente menciona a utilização desse recurso para solução de seus dilemas profissionais e Schmidt aproveita a oportunidade e publica quatro belas aquarelas de sua autoria.

Maiores detalhes acerca do funcionamento e como adquirir o conjunto de cartas denominado 'Oblique Strategies' poderão ser obtidas em: http://www.rtqe.net/ObliqueStrategies/

Brian Eno não deixou por menos na escolha dos músicos que o acompanham. A lista é simplesmente de primeira qualidade, resultando num trabalho de altíssimo nível, mas que pode não agradar a todos os seus admiradores, em razão de sua natureza, na maioria das vezes, mais suave, delicada e melódica, características que particularmente muito me agradam.

Before and After Science (Fourteen Pictures) - (1977)

Músicas:
01. No One Receiving
02. Backwater
03. Kurt's Rejoinder
04. Energy Fools The Magician
05. King's Lead Hat
06. Here He Comes
07. Julie With...
08. By This River
09. Through Hollow Lands
10. Spider And I

Músicos:
Paul Rudolph: Baixo e guitarra ritmica (1), Baixo (2,5,6,7),
Phil Collins: Bateria (1,4,
Percy Jones: Baixo Fretless (1,4), Analog delay Bass (3)
Jaki Liebezeit: Bateria (2)
Dave Mattacks: Bateria (3,6)
Shirley Willians: Brush Timbales (3)
Kurt Schwitters: Voice (3)
Fred Frith: Modified guitar (4), Cascade guitars (9)
Andy Fraser: Bateria (5)
Phil Manzanera: Guitarra ritmica (5), guitarras (6)
Robert Fripp: Guitarra solo (5)
Achim Roedelius: Piano de cauda e piano elétrico (8)
Möbi Moebius: Bass Fender piano (8)
Bill MacCornick: Bass (9)
Brian Turrington: Baixo (10)
Brian Eno: Vocal, sintetizadores, guitarra, piano, percussão sintetizada, Yamaha CS80, Moog, mini-Moog demais teclados.

[Obrigado = Thanks]

segunda-feira, 28 de junho de 2010

Premiata Forneria Marconi - 'Cook' ou 'Live In USA' - (1974)

Particularmente sempre gostei muito de gravações ao VIVO. Quando o trabalho que envolve a elaboração e produção dessa categoria especial de obra fonográfica é bem realizada, tanto pela equipe técnica, quanto pelos músicos, o resultado geralmente surpreende. Os improvisos, os solos, a reação do público, todos os elementos implícitos na captura de um momento único e que nunca mais se repetirá são absolutamente fascinantes e empolgantes.

Por tal razão, estou inaugurando nesse mukifu, um novo marcador, especialmente dedicado aquelas obras ao Vivo que considero magistrais, impecáveis e altamente recomendadas. Inaugurando o mencionado marcador estou divulgando esse genial álbum do PFM conhecido como 'Cook' ou 'Live in USA'. Gradualmente pretendo divulgar, dentro das minhas parcas possibilidades, álbuns ao vivo de algumas bandas que tiveram a felicidade de gravarem verdadeiras obras-primas ao vivo, algumas vezes, com versões mais empolgantes e interessantes que as versões originais de estúdio.

Quanto a presente postagem, não tenho muito a acrescentar, a final trata-se de uma das bandas italianas de progressivo mais conhecidas e renomadas mundialmente, dispensando qualquer comentário idiota. No entanto sempre me questionei o motivo que levou esse álbum a possuir duas denominações 'Cook' e 'Live In USA'. Na verdade essa obra é o resultado de duas apresentações uma ocorrida em Toronto (Canadá) aos 22/08/1974 e a outra em New York (USA) aos 31/08/1974, não justificando trocar o nome desse álbum. Talvez tenham aproveitado um maior volume de material da apresentação em New York, mas isso não está claramente informado no álbum.

Felizmente possuo uma versão em vinil (1974) do 'Cook', edição Americana, selo Manticore, com a magnífica e original capa que escolhi para ilustrar a presente postagem. Não sei o motivo, mas nunca mais editaram ou se referiram ao 'Cook', passando a editá-lo como 'Live In USA'. Quando lançaram esse álbum no Brasil, seguiram a horrenda capa do 'Live In USA'.

'Cook' ou 'Live In USA' (1974)
Músicas:
01. Four holes in the ground
02. Dove...quando
03. Just look away
04. Celebration (incluíndo trecho da música 'The world became the world')
05. Mr Nine till Five
06. Alta loma five till nine (incluíndo trecho da obra de Rossini 'Willian Tell Overture')

Músicos:
Franz Di Cioccio: Bateria, Vocal
Patrick Djivas: Baixo
Franco Mussida: Guitarras, Vocal
Mauro Pagani: Violino, Flauta, Vocal
Flavio Premoli: Hammond organ, Piano, Mellotron, Moog, Vocal

[Obrigado = Thanks]

Jane - Together (1972)

Formada no final do ano de 1970, somente em 1972, com o lançamento de seu primeiro álbum 'Together' é que a banda germânica "Jane" veio a ser conhecida pelo público internacional.

Possivelmente, por conta das diversas alterações sofridas na  estrutura dos músicos que integraram a banda, "Jane" não se manteve fiel ao progressivo, incorporando elementos do Krautrock, Hard Rock, dentre outros estilos ao longo de sua vasta discografia, fato que certamente não colaborou favoravelmente para uma maior projeção da banda no cenário do progressivo, relegando a banda a uma posição secundária.

Nesse álbum inaugural, na minha opinião o melhor álbum da banda, existem verdadeiros clássicos do progressivo e não pretendo individualizar nenhuma delas,  pois trata-se de uma obra muito bem elaborada, repleta de brilhantes momentos de órgão e guitarra, capazes de agradar aos apreciadores do progressivo hard rock.

A estrutura musical claramente apoiada nos belos teclados de Werner Nadolny, na bateria de Peter Panka, na guitarra de Klaus Hess e no agradável vocal de Bernd Pulst, fazem desse ábum, uma obra fundamental para aqueles que apreciam um bom progressivo, bem como, aqueles que apreciam a sonoridade do progressivo germânico (embora, infelizmente, cantado em Inglês).

Ainda hoje, decorridos mais de 38 anos, esse álbum permanece original, atual, criativo e tecnicamente perfeito. 'Together' tem uma proposta musical consistente, robusta e vigorosa, merecendo um lugar de destaque entre os melhores álbuns de progressivo, principalmente por possuir uma personalidade musical própria e por desenvolver um trabalho de elevada qualidade artística, utilizando-se de recursos tecnológicos básicos, quase rudimentares, em comparação com as possibilidades técnológicas atualmente disponíveis.

Together (1972)

Músicas:
01. Daytime
02. Wind
03. Try To Find
04. Spain
05. Together
06. Hangman

Músicos:
Klaus Hess: Lead Guitar
Charly Maucher: Bass, Vocals
Werner Nadolny: Organ, Flute
Peter Panka: Drums, Percussion
Bernd Pulst: Vocals

[Obrigado = Thanks]


Dedico essa postagem a memória do baterista Peter Panka, falecido em 28/06/2007.

quarta-feira, 16 de junho de 2010

Finch - Glory Of The Inner Force (1975)

Essse é o primeiro álbum dessa genial banda holandesa, que funde com exemplar habilidade, competência e virtuosismo o progressivo, o hard rock e o jazz rock.

A sonoridade do Finch, no meu entender, é incomum e singular, não me parecendo possível servir-me da analogia, para tentar descrever ou mesmo delinear sua personalidade musical.

Finch é inquietante, original, complexo e denso. Suas composições, relativamente longas, merecem uma atenção muito especial por parte do ouvinte, de forma a melhor aproveitar todas as magníficas variações musicais envolvidas. Por tratar-se de uma obra riquíssima em andamentos, em sua maioria rápidos (em especial o álbum Beyond The Expression), o ouvinte, poderá numa primeira audição ficar um pouco desnorteado, chegando a perder o interesse pelo trabalho, no entanto, não se deixe levar pela primeira audição.

Ouvir o trabalho do Finch é como observar-se um exímio desenhista ao longo de seu processo criativo. Do branco espaço, sugem as primeiras linhas e traços que delineam a estrutura básica, dividem o espaço, determinam sua extenção. Gradualmente, do emaranhado de traços sem sentido, surgem quase que magicamente, contornos definidos, luzes, sombras, volumes e texturas. Quando o observador acha que a obra esta concluída, inicia-se uma outra fase, onde são finalmente acrescentadas as cores que irão ressaltar as luzes, as sombras, os volumes e as texturas.

Acredito que por conta de sua singular sonoridade, Finch certamente não recebeu, como ainda não recebe, a atenção e o prestígio legitimamente merecidos, por parte do público que aprecia o bom progressivo. Trata-se de uma música instrumental com um enfoque nada convencional e que exige do ouvinte um alto nível de concentração e abstração.
Como já mencionei anteriormente na postagem relativa ao álbum 'Beyond The Expression' (1976), "as composições são notoriamente conduzidas pela guitarra de Nimwegen, que foi fortemente influenciado pelo seu conterrâneo Jan Akkerman (Focus)", dentre muitas outras influências, revelando, ao longo desse álbum, um  profundo conhecimento e pleno domínio de diversas técnicas. No entanto, o fato da guitarra exercer um papel importante na condução das composições, não retira ou  diminui a importância e o virtuosismo dos demais integrantes, que são músicos de primeiríssima qualidade técnica.

Não vou me alongar em detalhadas dissertações. Finch é altamente recomendado. Se o visitante gosta de um progressivo mais pesado, repleto de andamentos que intercalam-se entre o lírico, o hard prog. e jazz rock, não deve deixar de ouvir os dois trabalhos aqui divulgados.

Glory Of The Inner Force (1975)

Músicas:
01. Register Magister
02. Paradoxical Moods
03. Pisces
04. A Bridge to Alice
05. Colosus, Part 1   (Bonus)
06. Colosus, Part 2   (Bonus)

Músicos:
Joop Van Nimwegen: guitarras
Cleem Determeijer : teclados
Peter Vink : baixo
Beer Klaasse : bateria

[Obrigado = Thanks] 


Se o caro visitante desejar conhecer o terceiro álbum do Finch "Galleons Of Passion" (1977), visite:
http://amakina.blogspot.com/2010/11/finch-galleons-of-passion-1977-lossless.html

sábado, 12 de junho de 2010

Paris - Paris (1976)

Definitivamente o ano de 1976 não foi um ano de nobre safra para o progressivo, assim como, também não foi um excelente ano para o hard rock. Pouca coisa de significativo valor e relevância musical foi lançada naquele ano. Como mera referência, citarei apenas alguns dos mais significativos trabalhos lançados naquele ano (na minha opinião):
Rainbow 'Rising', Budgie 'If I Were Brittania I'd Waive the Rules', Aerosmith 'Rocks', Wishbone Ash 'New England', Uriah Heep 'High and Mighty', Starcastle "Starcastle',  Robin Trower 'Live' e 'Long Misty Days', Kansas 'Leftoverture', Led Zeppelin 'The Song Remains the Same', Scorpions 'Virgin Killer', Black Sabbath 'Technical Ecstasy', Rush 'All the World's a Stage', Brand X 'Peter & Wolf'' e mais alguns outros que deixo de consignar de modo a não tornar a leitura mais maçante do que já é.

A lista, embora incompleta, não chega a ser gigantesca (principalmente para os dias de hoje, com MP3 e internet), mas para quem, naquela época, desejava adquirir todos esses lançamentos em vinil era praticamente impossível (impagável) adquirir a maioria os bons lançamentos (do catálogo nacional) daquele ano. Isso implicava muitas vezes, em deparar-se com uma banda desconhecida e ver-se obrigado a postergar sua aquisição para "mais tarde", privilegiando a aquisição de outro álbum mais interessante. O tempo passava e por fim acontecia a mais perversa das situações. Aquela obra deixada para ser adquirida "mais tarde", acabava sendo retirada do catálogo, em razão da pouca vendagem e ficávamos então sem o LP.

A banda "Paris" foi um clássico exemplo do acima relatado, tornando-se vítima, da cruel decisão de deixar para "mais tarde" a sua aquisição, implicando, em decorrência, na sua prematura retirada do catálogo nacional. O resultado foi que quase ninguém comprou, quase ninguém conhece e poucos são aqueles que tiveram a chance de "mais tarde", depararem-se com uma cópia usada. Felizmente esse foi o meu caso e lá pelo ano de 1978, consegui minha cópia nacional.

A banda começou mal, logo na escolha do "romântico" nome. Particularmente, considero o nome "Paris" o nome mais estúpido, idiota e ignóbil que já conheci. Especialmente, considerando-se a natureza musical da banda, totalmente voltada para o hard rock. É um nome que ofende o sentido estético e lógico. Seria algo como se o "Rainbow" (outro nome idiota, parece nome de banda infantil) fosse "Lollypop", ou seja, "Pirulito"! Não pode funcionar! É uma aberração.

Em fim, essa banda foi formada por iniciativa do guitarrista Robert Welch (ex-Fleetwood Mac) em parceria com o competente baixista Glenn Cornick (ex-Jethro Tull) e o excelente baterista Thom Mooney (que tocou no 'The Nazz' com Todd Rundgren). Com essa formação lançaram o primeiro álbum do "Paris", objeto dessa postagem. O segundo álbum do "Paris" 'Big Towne, 2061', já conta com outro baterista Hunt Sales. Infelizmente não me recordo da sonoridade desse segundo álbum, (também isso já faz mais de 30 anos e eu  nessa época ainda tinha todos os meus dentes), mas pelo que lembro, não guarda uma estreita relação sonora com o primeiro álbum, não chegando a me interessar (pelo menos naquela época).

O "Paris", na minha concepção, cometeu o seu segundo maior equivoco, ao tentar desenvolver um hard rock, baseado na estrutura musical de um ícone do porte do "Led Zeppelin". Esse verdadeiro despautério, essa incomensurável arrogância, essa incontestável e indissimulável heresia teve seu doloroso e cruel preço, cobrado com absoluto rigor por parte do público consumidor. Pior que isso, só "pegando" dinheiro emprestado com "Jacoh" ou com seu primo "Isac", dois agiotas, com comércio estabelecido na esquina, próximo daqui de casa. Resumindo, venderam suas almas e se danaram.

Seja como for, ainda assim é um hard rock bem interessante e de excelente qualidade, com muitas composições empolgantes e até que bem arranjadas e executadas. Não espere ouvir grandiosos e memoráveis solos, Bob Welch não é Jimmy Page, embora, em alguns momentos tente se fazer passar por Robert Plant. No entanto, mesmo com toda essa lista de considerações um tanto quanto depreciativas, vale a pena conhecer, por tratar-se de um bom hard rock. Principalmente pelas faixas, 'Black Book', 'Religion', 'Beautiful Youth', 'Nazarene', 'Narrow Gate', 'Solitaire' e 'Breathless'.

Cabe ainda ressaltar que pelo menos 4 músicas desse álbum, foram incorporadas a programação da saudosa e inesquecível rádio Eldo Pop

Paris (1976)

Músicas:
01. BLACK BOOK
02. RELIGION
03. STARCAGE
04. BEAUTIFUL YOUTH
05. NAZARENE
06. NARROW GATE (LA PORTE ETROITE)
07. SOLITAIRE
08. BREATHLESS
09. ROCK OF AGES
10. RED RAIN

Músicos:
GLENN CORNICK: baixo, teclados
THOM MOONEY: bateria
ROBERT WELCH: guitarra, vocal

[Obrigado = Thanks]

Observação:
Depois de já haver remetido o arquivo para o servidor hospedeiro, detectei que existe um equívoco no título da 4ª faixa, onde lê-se 'Beautiful Cage', corrija-se para 'Beautiful Youth". Desculpem-me a falha.